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Crítica | A Queda 2: No Limite

Foto do escritor: Fagner Ferreira Seara
Fagner Ferreira Seara
há 22 horas
3 min de leitura

2026 | 1 h 38 min | Aventura – Drama – Suspense

(Paris Filmes/Divulgação)


A Queda 2: No Limite tenta repetir a fórmula que funcionou no primeiro filme, mas transforma a tensão em uma sucessão de clichês e decisões previsíveis.


A Queda trouxe aos cinemas a angústia de acompanhar duas jovens mulheres completamente presas ao topo de uma torre depois que uma aventura dá errado, resultando na morte de uma delas e transformando a experiência em um verdadeiro pesadelo para a sobrevivente. Com o sucesso nas bilheterias, não demorou para que uma sequência fosse anunciada, apostando novamente no mesmo método que havia dado certo. Agora, em A Queda 2: No Limite, a proposta é embarcar em uma nova jornada, com um novo cenário e novos desafios, mas mantendo praticamente a mesma premissa e estabelecendo uma ligação direta com a história anterior.

(Paris Filmes/Divulgação)


Jax Hunter (Harriet Slater) é a irmã mais nova de Shiloh (Virginia Gardner). Após a traumática morte da irmã, Jax não consegue seguir em paz, convivendo constantemente com o assédio da mídia, dos fãs e com o luto pela perda. Quando decide colocar o carro da irmã à venda, surge Luce (Arsema Thomas), que afirma ter sido amiga de Shiloh.


A misteriosa mulher propõe que Jax não permita que o legado da irmã seja deixado de lado, incentivando-a a enfrentar os desafios que Shiloh havia registrado em um caderno. Mesmo desconfiada de toda a situação, Jax decide viajar com Luce para a Tailândia e encarar a escalada do Monte Kwan em uma tentativa de seguir os passos da irmã.


O problema é que a falta de criatividade dos diretores Michael e Peter Spierig e dos roteiristas Jonathan Frank e Scott Mann, ao acreditarem que a mesma fórmula seria suficiente para sustentar uma nova história, acaba superando qualquer expectativa. A sequência mergulha em uma profusão de clichês, um atrás do outro, tornando previsível qualquer movimento realizado pelo núcleo principal.

(Paris Filmes/Divulgação)


Os diálogos são pobres e o enredo dramático é tão exagerado que a torcida passa a ser para que tudo dê errado. As decisões dos personagens são tomadas com uma facilidade absurda, enquanto basta uma pequena fagulha de flashback para que opiniões e comportamentos mudem completamente. As condições de claustrofobia que funcionaram tão bem no primeiro longa aqui se tornam muito mais artificiais.


As cenas de expectativa durante a travessia da montanha não conseguem produzir qualquer sensação real de suspense. Tudo parece calculado para reproduzir as situações do filme anterior, mas sem a mesma eficiência. O final, então, é ainda mais inacreditável, apresentando um dos plot twists mais vergonhosos do cinema recente.

(Paris Filmes/Divulgação)


Se a grande sacada era criar uma trama que servisse como gancho para um terceiro filme (e infelizmente existe margem para isso), tudo acaba indo por água abaixo. As consequências desastrosas do roteiro beiram o ridículo. O elenco é o menor culpado de tudo isso. Mesmo com atuações irregulares, os atores não conseguem entregar aquilo que a produção exige, principalmente porque seus personagens são pouco desenvolvidos e parecem existir apenas para preencher uma história que não sabe exatamente para onde quer caminhar. São personagens sem vida, com motivações pouco explicadas e praticamente nenhum conteúdo emocional capaz de sustentar a aventura.


A Queda 2: No Limite é uma sequência desnecessária para uma história que já havia encontrado seu encerramento. Pior: ainda deixa aberta a possibilidade de um terceiro filme. A produção não consegue apresentar uma nova abordagem capaz de reproduzir o suspense do primeiro longa e acaba transformando uma premissa interessante em uma aventura previsível e sem alma. Repetir a dose nem sempre é sinônimo de sucesso.

Nota

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