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Crítica | Resident Evil

Foto do escritor: Fagner Ferreira Seara
Fagner Ferreira Seara
17 de set.
3 min de leitura

2026 | 1 h 30 min | Ação – Terror – Ficção científica

(Sony Pictures/Divulgação)


A franquia de jogos Resident Evil mais uma vez passa por um recomeço. Desde O Hóspede Maldito, estrelado por Milla Jovovich, a trama inspirada no game da PlayStation nunca conseguiu chegar aos cinemas à altura do material original. Agora, Resident Evil volta às telonas em um reboot dirigido por Zach Cregger, do excelente A Hora do Mal, com a árdua missão de tentar dar uma nova esperança aos fãs do survival horror.


A trama não traz os principais personagens dos games e é centrada em Bryan (Austin Abrams), um entregador que recebe uma ingrata missão: levar um material hospitalar até o outro extremo da cidade, em Raccon City. No caminho, o “simpático” entregador passa pelos mais diversos perrengues após atropelar uma mulher infectada por um vírus desenvolvido nos Laboratórios Umbrella. Mal sabia ele que aquela mulher seria apenas a ponta do iceberg de uma infecção capaz de transformar seres humanos em mortos-vivos.


A ambientação escolhida por Zach Cregger nos conecta à vibe dos games, com ruas escuras, sustos e uma jornada pela sobrevivência em meio ao terror que assombra Bryan. Temos os famosos personagens NPC, a busca por balas para as armas, portas trancadas, cadeados difíceis de abrir e diversos outros easter eggs espalhados pela tela.

(Sony Pictures/Divulgação)


O modo como o diretor utiliza alguns momentos em primeira pessoa também remete à sensação nostálgica de sentar-se em frente à televisão e ligar o PlayStation para jogar. É uma experiência que, em determinados momentos, realmente consegue reproduzir a sensação de estar dentro do jogo.


Entretanto, essa conexão com os games é apenas pontual. A escolha de contar uma história completamente diferente, sem utilizar os personagens mais conhecidos da franquia, acaba criando uma dinâmica estranha. Não estamos diante de uma adaptação direta dos jogos, mas de um filme que utiliza características que compõem a narrativa de Resident Evil.


É como pegar uma trama totalmente aleatória e simplesmente colocar o título emblemático da franquia. Imagine um filme dos Vingadores com Capitão Planeta, Homem-Codorna, Mexilhão, Homem-Sereia e She-Ra. Exatamente: é mais ou menos essa sensação. Não significa que o filme seja necessariamente ruim. Pelo contrário, existe um bom enredo, momentos de tensão e um ritmo que consegue manter o espectador envolvido. O problema é que essas mudanças acabam descaracterizando justamente aquilo que tornou Resident Evil tão conhecido.

Resident Evil (Sony Pictures/Divulgação)

(Sony Pictures/Divulgação)


Outro ponto bastante negativo é o excesso de comédia. É desnecessário e, em diversos momentos constrangedor, inserir tantas piadas em uma produção que deveria abraçar mais o clima de survival horror. Bryan acaba sendo construído como um protagonista quase sempre atrapalhado e engraçadinho, o que entra em conflito com a situação desesperadora que ele deveria estar vivendo. A parte final, especialmente, exagera nesse tom e acaba retirando boa parte da tensão construída anteriormente.


Resident Evil mais uma vez corre o risco de decepcionar os verdadeiros fãs dos games que esperam encontrar no cinema uma experiência próxima da mitologia original. O filme até apresenta boas ideias, uma atmosfera interessante e momentos que remetem diretamente à experiência dos jogos, mas parece mais interessado em criar sua própria história do que em contar uma história de Resident Evil.


No fim, é um tiro no escuro que, para mim, acaba errando o alvo. Usar um nome de enorme sucesso para apresentar uma trama praticamente independente pode funcionar para quem chega sem expectativas, mas dificilmente irá satisfazer quem esperava ver no cinema a essência da franquia que conhece dos videogames.

Nota

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