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Crítica | Overman: O Filme

Foto do escritor: Gustavo Pestana
Gustavo Pestana
há 2 dias
3 min de leitura

2026 | 1 h 22 min | Ação – Aventura – Comédia – Ficção científica


Overman: O Filme (Migdal Filmes/Divulgação)
(Migdal Filmes/Divulgação)

Overman é uma tirinha e história em quadrinhos brasileira criada pela cartunista Laerte Coutinho em 1998. Publicada originalmente nas páginas da Folha de S.Paulo, a obra ganhou posteriormente uma revista própria, reunindo diversas tirinhas e histórias inéditas. Com uma abordagem escrachada e, ao mesmo tempo, afetuosa, o personagem satiriza os super-heróis norte-americanos ao adaptar os clichês do gênero à caótica realidade urbana, política e social do Brasil.


Agora, em 2026, o personagem chega às telonas com uma história original que reúne elementos, personagens e conceitos de diferentes tirinhas, preservando o humor cômico, o sarcasmo e as críticas sociais que acompanham Overman desde sua criação.


O filme começa provocando os próprios longas de super-heróis da atualidade, com uma introdução bastante semelhante às aberturas da Marvel Studios. Logo de cara, a produção deixa claro que sua proposta vai além de satirizar os quadrinhos: o alvo também são os filmes do gênero e suas fórmulas já conhecidas pelo público.


A trama é simples e reúne diversos personagens que já apareceram nas histórias de Overman em algum momento, alguns com destaques nas tirinhas outros com meras aparições rapidas, como Ésquilo (Victor Lamoglia), Pâmela, a Mulher Cachorro (Karina Ramil), Capitalista Imundo (Otávio Müller), Poline Pilsen (Maria Lucas), Pane (Marina Provenzzano), Maníaco Flatulento (Caio Riscado) e Passador de Trote (Saulo Arcoverde), além, é claro, do próprio Overman (Caco Ciocler).

Overman: O Filme (Migdal Filmes/Divulgação)

(Migdal Filmes/Divulgação)


Como mencionado, o longa apresenta uma narrativa inédita, construída a partir do universo geral dos quadrinhos, em vez de adaptar diretamente uma história específica. Os personagens são bastante caricatos e funcionam bem dentro dessa proposta, mas a trama está longe de ser envolvente ou empolgante. Para aproveitar a experiência, é preciso ter uma disposição considerável para embarcar no humor e no ritmo da produção.


Por mais que seja difícil admitir, Overman: O Filme enfrenta um desafio importante: adaptar uma obra brasileira que faz sátiras políticas e sociais, brinca com situações muito específicas do país e explora estereótipos que nem sempre são reconhecidos por todos os espectadores. É praticamente um nicho dentro de outro nicho, capaz de conquistar basicamente os fãs de quadrinhos nacionais que apreciam esse tipo de humor, mas com dificuldades para alcançar o público geral.


Ainda assim, quem decidir dar uma chance ao filme provavelmente encontrará aspectos positivos. Embora as atuações não sejam extraordinárias, a produção consegue transportar para as telas a identidade visual e o espírito das tirinhas brasileiras, oferecendo uma experiência diferente daquela encontrada nas adaptações tradicionais de histórias em quadrinhos. O problema está no roteiro, que não apresenta a mesma força do material que o inspira e, em determinados momentos, torna a experiência cansativa, dependendo demais da disposição do espectador para acompanhar a proposta.

Overman: O Filme (Migdal Filmes/Divulgação)

(Migdal Filmes/Divulgação)


Overman: O Filme não é para todos, mas entende a identidade que precisa preservar. A produção apresenta referências ao material original em enquadramentos, situações e, principalmente, na personalidade dos personagens. Entretanto, falta à narrativa o envolvimento necessário para ampliar seu alcance e conquistar uma parcela maior do público brasileiro.


O longa depende consideravelmente dos fãs da obra original, que podem ajudar a divulgar a produção e incentivar outras pessoas a assisti-la nos cinemas, mas mesmo com esse apoio, existe o risco de que parte dos espectadores considere a história arrastada ou pouco interessante, especialmente aqueles que não possuem familiaridade com o universo criado pela Laerte.


Apesar dessas limitações, Overman: O Filme conseguiu despertar em mim uma impressão positiva. O reconhecimento de referências diretamente retiradas dos quadrinhos tornou a experiência mais divertida e reforçou o valor da adaptação para quem já conhece o personagem. Talvez isso aconteça justamente por eu ter lido e gostado do material original ou por fazer parte do público que o filme pretende alcançar.


No fim, ainda é difícil prever se a produção conseguirá se tornar um sucesso nacional ou romper a barreira de seu público mais específico. O que fica claro é que Overman: O Filme tem personalidade, respeita as características de sua obra de origem e oferece uma abordagem particular do gênero de super-heróis, mas precisará de mais do que referências e sátiras para conquistar quem ainda não conhece o personagem.

Nota

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