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Crítica | Street Fighter

Foto do escritor: Gustavo Pestana
Gustavo Pestana
15 de out.
5 min de leitura

2026 | 1 h 59 min | Ação


Street Fighter (Paramount/Divulgação)
(Paramount/Divulgação)

O mais novo filme baseado em um jogo de luta entrega exatamente o que prometeu: muita ação, coreografias excelentes e uma narrativa que, embora simples, é forte o suficiente para justificar a enorme variedade de personagens e cenários. O resultado é uma adaptação que entende o que os fãs querem ver e abraça a essência de Street Fighter sem receios. Pelo menos para mim, foi exatamente o que eu gostaria de ver.


É praticamente impossível não traçar um paralelo com outra franquia de jogos de luta que também ganhou um filme neste ano: Mortal Kombat. Street Fighter tinha uma missão um pouco mais difícil que a de seu concorrente, pois precisava estabelecer seu próprio universo, apresentar os personagens e definir um estilo narrativo. Afinal, Mortal Kombat já havia dado esses primeiros passos em seu filme de 2021. E posso afirmar que Street Fighter cumpre essa tarefa muito bem!


Mesmo quem não conhece os lutadores consegue compreender suas personalidades e identificar rapidamente quem é vilão, quem está do lado dos heróis e quem simplesmente não está nem aí para nada, querendo apenas lutar e seguir em frente. O longa também distribui o tempo de tela de maneira satisfatória, garantindo pelo menos um grande momento para cada personagem e matando a curiosidade do público sobre como os golpes dos jogos funcionariam em live-action. É claro que nem todos poderiam receber o mesmo nível de destaque, mas, de alguma forma, cada um tem sua oportunidade de brilhar.

(Paramount/Divulgação)


Outro acerto está na compreensão de que tentar construir um universo sério, sombrio e realista não funcionaria tão bem para esses personagens. Em vez disso, o filme abraça completamente a galhofa e a loucura que fazem parte da identidade dos jogos. Tudo é colorido, extravagante e chamativo, enquanto situações absurdas acontecem com a maior naturalidade. Afinal, estamos falando de um universo em que humanos capazes de disparar energia pelas mãos enfrentam monstros verdes com poderes elétricos. Entender essa lógica e respeitar as particularidades desse mundo é fundamental para que a proposta funcione.


Essa abordagem também abre espaço para vermos diversos golpes dos personagens em ação. Como fã da franquia, fiquei genuinamente empolgado a cada movimento clássico que reconhecia na tela. Ver essas habilidades saindo dos videogames e ganhando vida em uma produção live-action é uma das experiências mais divertidas que o filme proporciona.


O elenco principal também merece elogios. Andrew Koji (Ryu), Noah Centineo (Ken Masters), Callina Liang (Chun-Li), David Dastmalchian (M. Bison) e até mesmo Andrew Schulz (Dan Hibiki) entregam boas atuações. Como mencionei anteriormente, o filme não exige grandes demonstrações dramáticas de seus atores, mas, quando a narrativa pede mais, seja na interpretação ou na preparação física, eles correspondem. O equilíbrio entre seriedade e comédia funciona muito bem, especialmente entre os personagens que conduzem a trama. Os demais integrantes do elenco também contribuem para essa construção e desempenham seus respectivos papéis na narrativa.

(Paramount/Divulgação)


Uma das surpresas mais agradáveis está na maneira como o longa apresenta acontecimentos do passado. Todos os flashbacks são retratados por meio de animações muito bem-feitas, uma escolha estética que combina perfeitamente com o universo de Street Fighter.


Quando questionado sobre essa decisão narrativa, o diretor Kitao Sakurai explicou que a utilização da animação também funciona como uma homenagem aos animes de ação, cuja influência conversa diretamente com a história apresentada. A escolha faz ainda mais sentido porque boa parte dessas sequências envolve Ryu e Ken. Além disso, a técnica representa uma alternativa mais econômica do que recorrer extensivamente ao CGI para rejuvenescer os atores e construir os efeitos visuais necessários. Ainda assim, é difícil não enxergar nessa decisão uma homenagem à animação de 1995, que marcou a trajetória da franquia nas telas.


E, como Street Fighter já recebeu inúmeros projetos ao longo dos anos, as referências não se limitam à animação. Uma delas aparece quando Ken se disfarça de guarda para invadir uma prisão, reproduzindo uma situação semelhante àquela vista no filme de 1994. São detalhes que ajudam a estabelecer uma conexão com as diferentes fases da franquia e tornam a experiência ainda mais divertida para quem acompanha os personagens há bastante tempo, mas que não necessariamente se torne uma chuva de referências a coisas que vieram no passado.

Street Fighter (Paramount/Divulgação)

(Paramount/Divulgação)


Particularmente, eu estava mais ansioso por esse filme do que por Mortal Kombat 2, e agora posso afirmar que Street Fighter não me decepcionou. O estilo narrativo descontraído e exagerado funciona muito melhor do que o tom excessivamente sério que costuma aparecer em adaptações desse gênero. A identidade visual extravagante, além de belíssima, ajuda a transportar o público para esse universo tão particular.


A nostalgia também tem um papel importante nessa experiência. Ver personagens tão conhecidos dos videogames ganhando vida na tela grande já seria motivo suficiente para despertar a empolgação, mas o filme consegue ir além. Cada golpe anunciado em voz alta e cada referência direta à franquia reforçaram essa sensação em mim, transformando a sessão em uma experiência especialmente divertida para quem conhece os jogos.


Entretanto, ainda estamos falando de um filme, e não apenas de uma sequência de lutas. Por isso, é necessário que exista uma história capaz de conduzir os acontecimentos. E é justamente nesse ponto que a produção deixa a desejar.

Street Fighter (Paramount/Divulgação)

(Paramount/Divulgação)


O roteiro é bastante fraco e pouco aprofundado, funcionando principalmente como uma grande desculpa para colocar os personagens em combate no maior número possível de cenários. A proposta até conversa com a essência dos jogos, conhecidos por suas batalhas em ruas, arenas e ambientes variados, mas isso não significa que a narrativa precisasse se limitar a essa estrutura. Acredito que seria perfeitamente possível desenvolver uma história mais complexa, com conflitos melhor trabalhados e personagens mais aprofundados, sem abrir mão de todos os elementos que funcionaram tão bem.

 

Como era de se esperar, o filme também termina deixando ganchos para uma possível continuação. O desfecho mantém as portas abertas para o retorno dos personagens e para a introdução de novos lutadores. Um deles, inclusive, já aparece nesta produção, ainda que apenas em uma sequência animada, o que aumenta a curiosidade sobre como seria sua participação em um eventual próximo capítulo.

 

Agora, resta acompanhar o desempenho de Street Fighter nas bilheterias para descobrir se a franquia realmente ganhará uma continuação. Caso precise apostar, eu diria que sim. E, se a arrecadação não for suficiente para justificar um novo lançamento nos cinemas, ainda existe a possibilidade de a história continuar em uma plataforma de streaming, como a HBO Max ou a Paramount+, considerando as mudanças no cenário empresarial que uniram essas marcas.


No fim das contas, Street Fighter entrega uma adaptação que entende sua própria identidade e não tem medo de ser exagerada, divertida e visualmente extravagante. Apesar das limitações do roteiro, a ação, as coreografias, as referências e o respeito à essência dos jogos fazem do longa uma experiência extremamente satisfatória para os fãs. Para mim, o filme acerta justamente ao compreender que nem toda adaptação precisa ser sombria ou realista para funcionar: às vezes, tudo o que precisamos é de bons combates, personagens carismáticos e muita vontade de entrar nessa loucura.

Nota

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