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Crítica | Stuart Não Consegue Salvar o Universo

Foto do escritor: Gustavo Pestana
Gustavo Pestana
há 3 horas
4 min de leitura

2026 | 30 min | Comédia – Fantasia – Ficção científica


Stuart Não Consegue Salvar o Universo (Warner Bros. Pictures/HBO Max/Divulgação)
Stuart Não Consegue Salvar o Universo (Warner Bros. Pictures/HBO Max/Divulgação)

O mais novo derivado de The Big Bang Theory chegou ao fim de sua primeira temporada e encontrou uma maneira bastante diferente de contar sua história quando comparado às outras produções desse universo. Enquanto a série original aposta no formato tradicional de sitcom, com histórias episódicas que ocasionalmente se conectam a uma narrativa maior ao longo da temporada, que nem sempre é uma grande história, podendo ser somente dois episódios no fim da temporada para fechar um cilco e assim encerrar o ano.


Já Jovem Sheldon abandona boa parte dessa estrutura e investe em uma narrativa mais contínua, com maior foco no desenvolvimento dos personagens e menos dependência do formato clássico de sitcom, sendo gravada em sets de locação e não no estúdio convencional com plateia como as sitcoms fazem normalmente.


Georgie e Mandy: Seu Primeiro Casamento, por outro lado, resgata justamente essa essência, com plateia ao vivo e uma estrutura muito mais próxima de The Big Bang Theory. Já Stuart Não Consegue Salvar o Universo segue por um caminho completamente diferente. A série não se apoia no formato de sitcom e constrói uma narrativa central para toda a temporada, mais parecido com Jovem Sheldon, mesmo que cada episódio apresente uma história relativamente fechada, existe uma grande trama conduzindo os personagens por diferentes universos.


E, considerando a proposta da série, essa escolha faz bastante sentido. O conceito pedia algo diferente de tudo o que já havíamos visto nesse universo.

(Warner Bros. Pictures/HBO Max/Divulgação)


Na história, acompanhamos Stuart Bloom (Kevin Sussman) embarcando em uma aventura multiversal ao lado de seu amigo Bert Kibbler (Brian Posehn), depois que uma versão alternativa dele mesmo aparece para avisar que precisa salvar o universo. O grande problema é que essa versão não explica como fazer isso, obrigando a dupla a descobrir por conta própria o que precisa ser feito ao longo da jornada.


No caminho, eles encontram uma versão de Barry Kripke (John Ross Bowie), que acaba se juntando à missão, além de uma versão de Denise (Lauren Lapkus), que também passa a fazer parte da aventura.


Embora cada episódio leve os personagens para um universo diferente e apresente situações que funcionam individualmente, o objetivo central continua sendo salvar o universo. É justamente esse propósito que conecta os episódios e transforma a primeira temporada em uma única grande história.


Quem assistiu a The Big Bang Theory já conhece esses personagens e provavelmente vai se perguntar como Stuart, Bert, Barry e Denise acabaram juntos em uma história tão aleatória que tem o quarteto como protagonista. E a resposta é: não faço ideia, mas isso não é nem um pouco importante.


Honestamente, não importa se Stuart e Bert já haviam trocado mais que duas falas na série original, ou se eles já tiveram contato com Kripke em algum momento, esse quarteto só está junto justamente pela aleatoriedade da história e por ela precisar de personagens tão fora do padrão que funcione dentro dessa narrativa, e ter esse quarteto que à primeira vista não faz sentido estar junto é o ideal para tal conceito. O mesmo princípio vale para as versões alternativas de personagens conhecidos que aparecem ao longo da história. A série não está interessada em construir uma explicação complexa para cada detalhe de sua própria mitologia.


A ideia aqui é muito mais simples: fazer uma comédia de ficção científica ambientada no universo de The Big Bang Theory, colocando personagens conhecidos em situações completamente absurdas. Quem estiver procurando uma lógica impecável para cada acontecimento provavelmente está assistindo à série errada.

(Warner Bros. Pictures/HBO Max/Divulgação)


Existem furos de roteiro? Sim. Existem coincidências convenientes demais para fazer a história avançar? Também. Mas existem muitos momentos genuinamente engraçados, referências à série original e participações especiais que tornam Stuart Não Consegue Salvar o Universo uma produção bastante particular dentro da franquia.


Diferentemente dos outros derivados, essa série não parece ter sido pensada para conquistar um novo público. A produção funciona muito melhor para quem já é fã de The Big Bang Theory, justamente porque sua loucura depende do conhecimento prévio que o espectador possui daquele universo.


A trama multiversal, os personagens alternativos e as situações aleatórias tornam a experiência pouco convencional até mesmo para quem já conhece a franquia. A série também não perde muito tempo desenvolvendo seus protagonistas, porque parte do princípio de que o público já sabe quem eles são. Cada personagem recebe basicamente os traços mais reconhecíveis de sua personalidade, e a história segue em frente.


Outro aspecto curioso é que a principal questão apresentada pela temporada não chega realmente a ser resolvida. O universo continua, a princípio, prestes a ser destruído, o que abre espaço para uma possível continuação. Ainda assim, o encerramento não transmite a sensação de que o público foi enganado ou passou horas acompanhando uma história que não chegou a lugar algum.


Isso acontece porque a graça de Stuart Não Consegue Salvar o Universo nunca esteve realmente na resolução do problema. O mais interessante é acompanhar os diferentes universos visitados pelo grupo e descobrir quais confusões eles vão provocar em cada um deles. Por isso, o fato de a temporada terminar sem solucionar completamente a missão acaba combinando com a própria personalidade dos protagonistas: eles são tão incompetentes e aleatórios que, no fim das contas, talvez nem tenham percebido que ainda não conseguiram salvar o universo.

Stuart Não Consegue Salvar o Universo (Warner Bros. Pictures/HBO Max/Divulgação)

(Warner Bros. Pictures/HBO Max/Divulgação)


Stuart Não Consegue Salvar o Universo é uma série bastante engraçada, mas que não funciona tão bem para quem está chegando agora ao universo de The Big Bang Theory. O lançamento semanal também não parece ser o formato mais adequado para uma narrativa tão curta e contínua. Como os episódios têm pouca duração e a temporada não é extensa, a experiência provavelmente funciona melhor em uma maratona.


Ainda assim, a série me agradou e tem boas chances de conquistar os fãs de The Big Bang Theory, principalmente pelas referências, participações especiais e pela oportunidade de acompanhar personagens conhecidos em situações completamente novas. O último episódio, inclusive, leva essa proposta ao extremo e funciona praticamente como uma grande paródia da própria série original.


Mas é importante ter em mente que a história não termina de maneira convencional, e a recompensa final não está em uma conclusão satisfatória para a missão apresentada. O verdadeiro objetivo da série está no caminho e nas possibilidades que o conceito de multiverso oferece: colocar personagens já conhecidos em situações inimagináveis, atravessando universos completamente diferentes e criando confusões que, de alguma forma, só esse grupo improvável seria capaz de protagonizar.

Nota

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