top of page
Background 02_edited_edited.jpg

Crítica | One Piece: O Filme

Foto do escritor: Gustavo Pestana
Gustavo Pestana
há 9 minutos
5 min de leitura

2000 | 51 min | Comédia – Animação – Ação – Aventura – Fantasia

One Piece: O Filme (Paris Filmes/Toei Animation/Divulgação)

(Paris Filmes/Toei Animation/Divulgação)


Antes de falar propriamente sobre One Piece: O Filme, é importante contextualizar alguns pontos. Para começar, este não é um lançamento inédito, mas uma produção que finalmente chega ao Brasil com dublagem oficial em português. A animação é de 2000 e, até então, nunca havia recebido uma versão dublada oficialmente por aqui. Agora, a Paris Filmes desenvolveu um projeto para trazer produções de One Piece aos cinemas brasileiros com as vozes que representam o anime no Brasil ao longo de tantos anos. Por esse motivo temos a estética mais antiga, a narrativa próxima das aventuras do início da série e até mesmo a ausência de alguns personagens já conhecidos pelo público.


A Paris Filmes também incluiu um curta-metragem na sessão: Carnaval de Dança do Jango, lançado em 2001. A produção é exibida antes do longa, seguindo uma prática comum em sessões que contam com curtas-metragens. O projeto ainda prevê outros dois lançamentos de One Piece nos cinemas brasileiros em 2026. One Piece: Aventura na Ilha Espiral chegará acompanhado do curta O Rei do Futebol dos Sonhos, com estreia prevista para 22 de outubro. Já One Piece: O Reino de Chopper na Ilha dos Animais Estranhos será exibido com o curta O Rei das Tartes do Espaço / Grande Festival de Música do Rei das Linhas, com previsão de estreia para 3 de dezembro.


Dito isso, podemos finalmente falar sobre o filme.

One Piece: O Filme (Paris Filmes/Toei Animation/Divulgação)

(Paris Filmes/Toei Animation/Divulgação)


Caso você seja um novo navegante neste universo, vale o aviso: nenhum desses longas é considerado canônico na história principal do anime. São produções classificadas como fillers, criadas para explorar aventuras paralelas à trama principal. Por isso, furos de roteiro, inconsistências e dificuldades para entender exatamente onde cada história se encaixa são bastante comuns. No caso de One Piece: O Filme, tudo indica que os acontecimentos se passam pouco depois de a tripulação do Chapéu de Palha deixar a Ilha Syrup, onde Usopp é recrutado.


Por conta desse momento específico da história, Sanji ainda não faz parte da tripulação. O personagem aparece no curta exibido antes do longa, já que aquela produção se passa posteriormente aos acontecimentos do arco do Baratie.

One Piece: O Filme (Paris Filmes/Toei Animation/Divulgação)

(Paris Filmes/Toei Animation/Divulgação)


A trama de One Piece: O Filme é bastante simples e está longe de apresentar a estrutura ou a grandiosidade que normalmente associamos a um longa-metragem. Na verdade, a produção foi concebida como uma espécie de grande episódio comemorativo no Japão, o que explica sua estrutura extremamente próxima dos primeiros episódios do anime. O resultado é uma aventura que pode não empolgar quem espera uma grande jornada dos Chapéus de Palha.


Por isso, o filme também não funciona como uma boa porta de entrada para quem nunca acompanhou One Piece. A aventura apresentada aqui é menos interessante do que muitas das histórias desenvolvidas ainda no começo do anime e depende bastante da familiaridade do espectador com aquele universo. Para quem pretende utilizar o longa como primeiro contato com a franquia, existem opções muito mais adequadas. 


O próprio desenvolvimento dos personagens é bastante limitado. Nami e Usopp recebem pouquíssimo espaço, algo compreensível considerando o período em que a história se passa, enquanto o antagonista não apresenta grande relevância. A missão também carrega uma forte sensação de aventura paralela, típica dos fillers, e a conclusão pode soar extremamente anticlimática para quem não está acostumado com a estrutura e os conceitos de One Piece.


No fim das contas, este é um filme direcionado principalmente aos fãs que desejam conhecer uma produção antiga da franquia e, sobretudo, finalmente assistir a essa aventura com as vozes em português.

One Piece: O Filme (Paris Filmes/Toei Animation/Divulgação)

(Paris Filmes/Toei Animation/Divulgação)


Agora, falando especificamente sob a minha perspectiva como fã, a experiência ganha outro significado. Eu acompanho o anime há algum tempo, embora atualmente não esteja em dia com os episódios, tenho uma relação muito forte com a dublagem brasileira, já que me acostumei tanto com as vozes em português que não consigo acompanhar One Piece no áudio original. Quando procurei assistir a este filme dessa maneira, justamente porque ele não possuía uma versão dublada, simplesmente não consegui continuar.


Por isso, quando surgiu a oportunidade de assistir à produção com o elenco de dublagem que acompanho no anime, não pensei duas vezes, pois gosto de One Piece e tenho interesse em consumir o máximo possível de conteúdo relacionado à franquia. Nesse aspecto, a existência de uma versão oficial dublada já representa um atrativo importante para mim.


O problema é que a história continua sendo simplista demais e não consegue sustentar o entretenimento de maneira convincente. Talvez isso também esteja relacionado ao fato de eu estar acostumado com outro ritmo de narrativa no anime ou de já ter avançado para uma fase em que os personagens estão muito mais poderosos, enfrentando desafios maiores e narrativamente mais interessantes quando comparado ao ponto em que estou atualmente na série, acompanhar uma aventura tão básica acaba sendo uma experiência um tanto estranha.


Ainda assim, é One Piece. E justamente por isso, existe um valor especial em poder resgatar uma produção tão antiga da franquia e finalmente conhecê-la em português. Só não acredito que isso seja suficiente para transformar o longa em uma experiência recomendável para qualquer espectador.

One Piece: O Filme (Paris Filmes/Toei Animation/Divulgação)

(Paris Filmes/Toei Animation/Divulgação)


Voltando à parte técnica, a dublagem é impecável. A direção do Glauco Marques mantém a qualidade e, principalmente, a identidade estabelecida no anime, que também conta com sua direção. O elenco não apresenta nenhum ponto fora do lugar: as vozes continuam funcionando muito bem, mesmo com a necessidade de retornar a uma fase em que os personagens ainda eram mais simples e tinham características diferentes das que apresentam atualmente.


Nesse aspecto, não há muito o que reclamar. A dublagem brasileira é, sem dúvidas, um dos principais motivos para conferir essa nova oportunidade de assistir ao filme nos cinemas.


No fim, o que resta é a possibilidade de acompanhar mais uma aventura dos Chapéus de Palha no nosso idioma. Mas será que isso, por si só, é motivo suficiente para ir ao cinema? Não sei. Particularmente, acredito que não.


Por outro lado, se você realmente é fã de One Piece e gostaria de ver esses personagens em uma tela de cinema, a experiência pode ter um significado diferente. Existe ainda uma questão que considero especialmente importante: se One Piece: O Filme apresentar um bom desempenho nos cinemas brasileiros, aumenta a possibilidade de a Paris Filmes continuar trazendo outras produções da franquia, incluindo mais filmes fillers, com dublagem em português.


E essa é uma iniciativa que sempre terá meu apoio. Mesmo quando a história não é tão interessante quanto poderia (como acontece aqui), considero muito positivo que produções antigas de One Piece estejam ganhando uma nova oportunidade de chegar ao público brasileiro com as vozes que ajudaram a construir a relação de muitos fãs com o anime.

Nota

Comentários


bottom of page