Crítica | Toy Story 5
- Gustavo Pestana

- há 1 dia
- 3 min de leitura
2026 | 1 h 42 min | Animação – Aventura – Comédia – Drama – Família – Fantasia
(Walt Disney Studios/Pixar/Divulgação)
Como era de se esperar, Toy Story 5 resgata toda a essência que transformou a franquia em um dos maiores sucessos da Pixar (se não for o maior). Mais do que apenas retornar aos cinemas, o filme recupera a atmosfera clássica da saga, entregando emoção, nostalgia e reflexões que dialogam com o público de diferentes gerações.
Após o controverso Toy Story 4 a nova sequência reencontra a energia dos primeiros filmes. O roteiro apresenta uma história emocionante, levanta debates contemporâneos relevantes e encerra um arco narrativo que começou ainda em 1999, em Toy Story 2.
O foco da vez é Jessie e sua relação com a antiga dona, Emily, e o trauma do abandono sempre estiveram entre os momentos mais marcantes e emocionantes da franquia. Agora, o novo filme retoma essa premissa e a utiliza como eixo central da narrativa, aprofundando sentimentos que apenas haviam sido trabalhados superficialmente. A produção explora como experiências do passado moldam emoções, comportamentos e ciclos que parecem se repetir ao longo da vida.
(Walt Disney Studios/Pixar/Divulgação)
Paralelamente, Toy Story 5 aproveita essa jornada emocional para discutir um tema extremamente atual: a influência da tecnologia no desenvolvimento infantil. Sem cair em discursos simplistas, o longa aborda tanto os benefícios quanto os riscos do acesso irrestrito às novas formas de entretenimento, criando um debate interessante que conversa diretamente com a realidade de muitas famílias.
Diferente dos capítulos anteriores, a trama concentra praticamente toda sua atenção em Jessie. Woody e Buzz assumem posições claramente secundárias, algo que pode surpreender parte do público. Observando a trajetória da franquia, é possível enxergar um padrão curioso: Toy Story foi o filme de Buzz, Toy Story 2 pertenceu a Woody, Toy Story 3 girou em torno de Andy, Toy Story 4 destacou Betty e agora Toy Story 5 coloca Jessie no centro da narrativa.
Essa escolha também levanta uma pergunta inevitável: a franquia chegou ao seu encerramento natural? Honestamente, não faço ideia de qual direção um eventual Toy Story 6 poderia seguir. A sensação é de que a saga já explorou praticamente todos os temas que precisava abordar. Ainda assim, não seria uma reclamação caso um novo capítulo fosse anunciado. Apenas acredito que este seja um encerramento bastante digno para esse universo.
(Walt Disney Studios/Pixar/Divulgação)
Mas voltando ao filme em si, apesar de priorizar Jessie, a produção não ignora completamente seus personagens mais icônicos. Woody retorna à história acompanhado de Buzz em uma missão paralela que funciona mais como um resgate nostálgico e um alívio cômico para os fãs do que como um elemento essencial para a trama principal.
Por outro lado, a nova personagem Lilypad desempenha um papel fundamental em praticamente todos os aspectos da narrativa. Por ser um tablet, sua presença imediatamente sugere a figura de antagonista. Sua personalidade forte, sua influência sobre Bonnie e sobre as crianças ao redor do mundo fazem dela uma ameaça real para os demais brinquedos.
No entanto, à medida que a história avança, o roteiro apresenta uma visão mais equilibrada. Através de outros personagens tecnológicos, aprendemos que o problema não está na tecnologia em si, mas na dependência criada em torno dela. Lilypad é, acima de tudo, um brinquedo tentando cumprir seu propósito: fazer o melhor para sua criança. O conflito surge porque suas capacidades tornam qualquer erro muito maior e potencialmente mais perigoso.
(Walt Disney Studios/Pixar/Divulgação)
Essa é uma das maiores qualidades do filme. A mensagem sobre tecnologia é transmitida de forma simples, acessível e inteligente. O longa não transforma a inovação em vilã, mas reforça que ela deve ser apenas mais uma ferramenta para brincar, assim como uma simples boneca de pano de cabelos vermelhos.
Na dublagem, a qualidade continua impressionante. Mabel Cezar mais uma vez entrega uma Jessie cheia de personalidade e emoção. Marco Ribeiro e Guilherme Briggs seguem inseparáveis de Woody e Buzz, respectivamente, em interpretações que já se tornaram definitivas para o público brasileiro.
Porém, grande parte da atenção ficará voltada para Maísa Silva, como Lilypad, e Rafael Infante, como Rolinho. Ambos realizam um trabalho competente, transmitindo com eficiência as características de seus personagens. Embora em alguns momentos seja possível identificar suas vozes antes dos próprios personagens.
(Walt Disney Studios/Pixar/Divulgação)
No geral, Toy Story 5 é um excelente retorno para a franquia. A produção combina elementos clássicos, temas contemporâneos e uma forte conexão emocional com o passado da saga. Os novos personagens enriquecem a narrativa, enquanto a atmosfera remete diretamente aos primeiros filmes da série, mesmo com Woody e Buzz ocupando posições menos relevantes do que o habitual.
Para quem cresceu assistindo a Toy Story 2 ou mantém um carinho especial pela franquia, a recomendação é fácil. Além de avançar a história iniciada na era Bonnie, o filme oferece uma conclusão emocionante para um dos arcos mais marcantes de toda a saga: a jornada de Jessie.













































































Comentários