top of page
Background 02_edited_edited.jpg

Crítica | Supergirl

  • Foto do escritor: Gustavo Pestana
    Gustavo Pestana
  • há 6 horas
  • 5 min de leitura

2026 | 1 h 47 min | Ação – Aventura – Drama – Ficção científica 

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação) 


O segundo filme do novo Universo DC finalmente chegou aos cinemas. Além de marcar o primeiro longa protagonizado por uma heroína dentro dessa nova fase, a produção também expande a mitologia do universo ao adaptar uma das histórias em quadrinhos mais aclamadas dos últimos anos: Supergirl: A Mulher do Amanhã

 

Diferentemente de Superman, o longa gera opiniões mais divididas entre os fãs, principalmente por conta das mudanças em relação ao material original. Ainda assim, considero a adaptação bastante competente. Embora algumas decisões tenham deixado de aproveitar elementos importantes da HQ, mesmo assim, o resultado final apresenta diversas qualidades que merecem reconhecimento. 

 

Não pretendo me aprofundar em todas as diferenças entre as duas obras nem discutir como o filme poderia ter sido caso seguisse fielmente cada página dos quadrinhos. Minha análise busca avaliar a produção como filme, tanto pela perspectiva de quem conhece a obra original quanto pela de quem nunca teve contato com ela e apenas espera uma boa história capaz de se sustentar por conta própria. 

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação) 

 

Para quem leu a HQ, fica evidente que a adaptação simplifica diversos acontecimentos. Algumas passagens foram removidas, outras condensadas, enquanto determinados personagens e conceitos acabaram ficando pelo caminho. Ainda assim, o coração da história permanece intacto, e os principais elementos que impulsionam essa jornada foram preservados com bastante competência. 

 

A essência da aventura, a personalidade das protagonistas e o universo em que estão inseridas foram transportados para as telas com grande fidelidade. Para mim, esse era o aspecto mais importante. Grande parte das críticas direcionadas à adaptação está relacionada ao desfecho, que difere consideravelmente da HQ. Mesmo assim, não consigo enxergar essa mudança como um problema. 

 

O final é diferente, sem dúvida, mas funciona dentro da proposta do filme. Ele dialoga diretamente com a personalidade da Supergirl, seus conflitos internos e os debates apresentados ao longo da trama. Acima de tudo, reforça uma das mensagens centrais da personagem: ela não é o Superman. Compartilha os mesmos valores e ideais heroicos, mas possui sua própria identidade, trajetória, desafios e forma de lidar com o mundo. O filme compreende essa distinção e a utiliza para construir uma protagonista forte, independente e capaz de se tornar um símbolo por mérito próprio. 

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação) 

 

Sob a ótica de quem nunca leu a HQ, o resultado também é bastante satisfatório. O roteiro entrega todas as informações necessárias para compreender a história e as motivações dos personagens, alternando momentos de ação empolgantes com reflexões emocionais. Sem uma comparação direta com o material original, dificilmente surge a sensação de que algo está faltando. 

 

Além disso, a produção demonstra uma ambição impressionante para o orçamento que recebeu. Considerando que custou menos do que Superman, o filme apresenta uma escala muito grande, a nivel de comparação, o orcamento do filme é similar a Capitão América: Admirável Mundo Novo e Thunderbolts*, longas que, na minha visão, são consideravelmente mais simples, menos criativos em sua construção visual e narrativa e pior em qualidade. 

 

Falando especificamente do elenco, Milly Alcock entrega uma atuação impressionante. Mais uma vez, o DC Studios demonstra enorme competência em suas escolhas de elenco. A atriz incorpora a personagem com naturalidade, transmitindo raiva, tristeza, força, vulnerabilidade e determinação sem perder o carisma em nenhum momento. Sua interpretação captura perfeitamente a essência da heroína e dificilmente deixará espaço para reclamações. 

 

Matthias Schoenaerts também se destaca como Krem. O ator constrói um antagonista cruel, desprezível e ameaçador, características fundamentais para um vilão que precisa gerar impacto emocional no público. Sua presença em cena é constantemente intimidante e ajuda a elevar os conflitos da narrativa. 

 

Eve Ridley, interpretando Ruthye, possui uma função aparentemente mais simples dentro da história, mas a executa com eficiência. A atriz transmite muito bem o desejo de vingança da personagem, equilibrando sua ingenuidade juvenil com a determinação necessária para seguir adiante em uma jornada tão perigosa. 

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação) 

 

Mas é impossível falar sobre o elenco sem destacar o GOAT do filme: Jason Momoa

 

Momoa simplesmente nasceu para interpretar Lobo. Honestamente, é difícil entender por que essa escalação não aconteceu anos atrás. Toda a paixão que o ator demonstrou pelo personagem ao longo dos últimos anos faz ainda mais sentido agora. O resultado é perfeito. 

 

Mesmo com tempo de tela limitado, cada aparição do personagem é memorável. Sua presença domina as cenas instantaneamente. Fica evidente o quanto Momoa está se divertindo no papel, e essa energia transborda para a tela. Seu carisma é gigantesco, sua postura é imponente, e a forma como fala, luta e interage com os demais personagens captura com precisão tudo aquilo que os fãs esperam de Lobo. 

 

Não é por acaso que ele se tornou o único ator reaproveitado do antigo universo DC para esta nova fase (pelo menos por enquanto). Depois dessa estreia, fica difícil imaginar outra pessoa interpretando o personagem com o mesmo nível de autenticidade. E, sinceramente, a vontade de assistir a um projeto solo focado em suas aventuras só aumenta. 

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação) 

 

Voltando ao filme em si, vale destacar que a produção está longe de ser perfeita. Em alguns momentos, o ritmo acelera demais e certas conveniências narrativas acabam surgindo para mover a trama adiante. No entanto, esses problemas jamais comprometem a experiência como um todo. 

 

Eu me diverti bastante com o que foi apresentado. Embora desejasse uma adaptação mais próxima dos quadrinhos, as mudanças realizadas não diminuem a qualidade do filme. O maior problema é que elas fazem surgir aquela inevitável sensação de que o resultado poderia ter alcançado algo ainda mais grandioso. 

 

Um dos meus maiores receios era descobrir como seria o primeiro projeto do DC Studios sem James Gunn ocupando diretamente a cadeira de roteirista ou diretor. Afinal, Comando das Criaturas, Pacificador e Superman carregam sua assinatura criativa de forma muito evidente. 

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação)  

 

Felizmente, esse não foi um problema. 

 

O filme compartilha características com o universo estabelecido por Gunn, especialmente por fazer parte do núcleo relacionado ao Superman, mas também apresenta identidade própria. O diretor Craig Gillespie (Eu, Tonya e Cruella) demonstra grande habilidade ao equilibrar a necessidade de construir um universo compartilhado coeso sem abrir mão de elementos que diferenciem sua obra das demais produções da franquia. 

 

A roteirista Ana Nogueira também despertava curiosidade. Apesar dos constantes elogios de James Gunn e Peter Safran, eu preferia formar minha própria opinião, principalmente porque ela já está ligada a futuros projetos envolvendo os Jovens Titãs e, ao que tudo indica, a Mulher-Maravilha. Depois deste filme, minhas expectativas ficaram consideravelmente mais positivas em relação ao seu trabalho. 

 

Curiosamente, apesar das comparações iniciais, o longa passa longe de ser uma versão alternativa de Guardiões da Galáxia. Também não se parece com a maioria das aventuras cósmicas produzidas pela Marvel Studios. Se fosse necessário encontrar uma referência, eu diria que sua atmosfera lembra mais os filmes de Star Trek dirigidos por J. J. Abrams. Ainda assim, a produção consegue construir uma identidade própria, sem parecer uma simples cópia de algo já existente. 

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação) 

 

Para concluir, Supergirl é um ótimo filme de super-herói. Possui falhas, mas nenhuma delas é grave o suficiente para comprometer a experiência. As maiores discussões certamente surgirão entre os leitores da HQ, não porque a adaptação seja ruim, mas porque ela abre mão de parte da complexidade e da grandiosidade presentes na obra original. 

 

Mesmo assim, o resultado final cumpre sua função com competência. O filme expande o Universo DC, aprofunda elementos importantes da Superfamília e planta sementes interessantes para o futuro da franquia. Ainda que não apresente cenas pós-créditos ou conexões diretas com os próximos projetos, ele demonstra que essa nova fase da DC continua caminhando na direção certa. 

Nota

Comentários


bottom of page