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Crítica | Hit para Dois

  • Foto do escritor: Gustavo Pestana
    Gustavo Pestana
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

2026 | 1 h 38 min | Comédia – Drama – Musical

(Diamond Films/Divulgação) 


O mais novo filme musical estrelado por Paul Rudd e Nick Jonas, Hit para Dois conseguiu me surpreender bastante. Ao mesmo tempo, reconheço que o longa nunca prometeu ser algo diferente do que apresentou. A expectativa criada estava muito mais na minha cabeça do que na proposta do próprio filme. 

 

Mas por que digo isso? Quando vi os dois atores no elenco e descobri que a trama girava em torno do roubo de uma música, imaginei imediatamente uma comédia leve, repleta de situações mirabolantes, disputas criativas e números musicais. Também esperava momentos dignos de um verdadeiro “colírio Capricho” de Nick Jonas, resgatando a imagem construída durante o auge de sua carreira nos anos 2000 e 2010. Só que o filme escolhe um caminho um tanto diferente. 

 

Claro, alguns desses elementos estão presentes, mas a narrativa se interessa muito mais por perspectivas, amadurecimento pessoal e pelo significado da arte do que por uma simples disputa autoral. Rick (Paul Rudd) é um músico “fracassado” que canta em uma banda de casamento, embora tenha chegado muito perto do estrelato. Já Danny Wilson (Nick Jonas) é um astro pop recém-saído de sua boy band e que precisa provar ao mercado que é capaz de sustentar uma carreira solo de sucesso. 

Hit para Dois (Diamond Films/Divulgação)

(Diamond Films/Divulgação) 


O destino coloca os dois frente a frente durante um casamento, e a paixão pela música cria uma conexão inesperada. Em uma madrugada regada a bebidas, conversas e composições, ambos compartilham ideias, canções e experiências de vida, ajudando um ao outro tanto no aspecto artístico quanto no pessoal. 

 

De volta à realidade, Danny enfrenta dificuldades com sua gravadora. Sem encontrar a música ideal para lançar sua nova fase, ele se lembra de uma composição ouvida naquela noite, faz alguns ajustes e a lança como se fosse sua. A partir desse momento, o filme mergulha em um debate interessante: a quem pertence uma canção? Quem realmente merece reconhecimento? E qual é o significado da canção? As respostas mudam de acordo com o ponto de vista de cada personagem, e isso faz com que o filme ganhe camadas. 

 

A narrativa concentra boa parte de sua atenção em Rick e em sua jornada. O filme explora seu passado como quase astro da música, sua relação com família e amigos e, principalmente, o impacto emocional de acreditar que teve algo roubado sem conseguir provar. A busca por reconhecimento, muito mais do que por dinheiro ou fama, adiciona camadas inesperadas à trama e torna a experiência mais profunda do que eu imaginava. 

Hit para Dois (Diamond Films/Divulgação)

(Diamond Films/Divulgação) 


Hit para Dois sabe exatamente qual é sua proposta. É um filme simples, divertido e emocionante, sem tentar ser maior do que precisa. As músicas funcionam muito bem, especialmente a canção principal, que não se torna cansativa apesar de aparecer diversas vezes ao longo da narrativa. Os personagens possuem mais nuances do que o esperado e, para minha surpresa, a mensagem final é extremamente positiva e sensível, o que me fez sair da sessão com aquele sentimento de conforto e satisfação. 

 

Antes de encerrar, gostaria de fazer um questionamento: Danny Wilson é realmente o vilão da história? Ou são as circunstâncias e as pessoas ao seu redor que o empurram para determinadas escolhas? 

 

Se analisarmos friamente, o personagem parece assumir diferentes versões de si mesmo: uma quando está ao lado de Rick, outra com sua namorada, uma terceira com seu empresário e uma última diante do público, como astro da música. Essa fragmentação o torna alguém ruim ou apenas revela as pressões que moldam seu comportamento? 

 

É uma reflexão interessante porque ultrapassa os limites do cinema. Esses conflitos são extremamente humanos e podem ser aplicados a diversos aspectos da vida, inclusive à nossa própria realidade. 

Nota

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