Crítica | Star Wars: O Mandaloriano e Grogu
- Gustavo Pestana

- 21 de mai.
- 3 min de leitura
2026 | 2 h 12 min | Ação – Aventura – Família – Fantasia – Ficção científica
(Walt Disney Studios/Star Wars/Divulgação)
Que os últimos anos de Star Wars nos cinemas foram turbulentos não é surpresa para ninguém. Mudanças constantes nos bastidores da Lucasfilm, trocas criativas e problemas envolvendo o futuro da franquia fizeram muitos fãs questionarem a força da saga nas telonas, e, em alguns casos, até mesmo no streaming. Entre projetos cancelados, produções problemáticas e séries divisivas, o universo criado por George Lucas parecia cada vez mais distante daquele encanto que marcou gerações da cultura pop.
Foi nesse cenário que surgiu a notícia de que The Mandalorian ganharia um filme para os cinemas. A promessa de manter a essência de uma das produções mais aclamadas da era Disney reacendeu a esperança do público, especialmente por se tratar de uma série que conquistou fãs veteranos e novos espectadores com uma abordagem mais simples, emocional e aventureira dentro do universo Star Wars.
Anos depois, finalmente chegamos a 2026. Star Wars: O Mandaloriano e Grogu estreia nos cinemas entregando exatamente aquilo que muitos fãs sentiam falta: aventura espacial, cenas de ação empolgantes, referências ao universo da franquia e, acima de tudo, o prazer genuíno de assistir Star Wars novamente. O longa consegue equilibrar nostalgia e acessibilidade, agradando tanto quem acompanha o personagem desde 2019 quanto espectadores que estão tendo o primeiro contato com ele agora.
(Walt Disney Studios/Star Wars/Divulgação)
Um dos maiores acertos do filme está justamente em não depender totalmente da série para funcionar. A narrativa se sustenta como uma aventura independente, dividida em três grandes momentos: uma introdução explosiva envolvendo o encerramento de uma missão, o desenvolvimento de uma nova jornada e, por fim, as consequências dos acontecimentos que moldam o destino dos personagens. Tudo o que o público precisa saber sobre motivações, conflitos políticos e funcionamento desse universo é apresentado de forma natural, sem cair em exposições exageradas ou diálogos redundantes para quem já conhece a lore da franquia.
Pedro Pascal retorna ao papel principal com a mesma presença carismática que transformou "Mando” em um dos protagonistas mais queridos da nova fase de Star Wars. O ator continua impecável nas interações com Grogu (ou Baby Yoda, para os mais íntimos) personagem que segue sendo um fenômeno absoluto da cultura pop. Fofo, engraçado e surpreendentemente emocionante, Grogu domina cada cena em que aparece e reforça o motivo de já ser considerado um dos grandes ícones modernos da franquia.
Além da dupla principal, o elenco ganha reforços de peso. Martin Scorsese interpreta Ardennian Fry Cook, Sigourney Weaver vive a Coronel Ward e Jeremy Allen White dá voz a Rotta the Hutt. Cada participação adiciona personalidade e importância à trama, ampliando ainda mais o alcance da produção. Talvez Scorsese tenha uma presença menor dentro da narrativa, mas sua participação por si só já carrega um enorme peso simbólico para o cinema e para o próprio projeto.
(Walt Disney Studios/Star Wars/Divulgação)
Obviamente outros grandes nomes retornam para esse filme, revivendo personagens que já aparecerem em outros lugares na franquia, sendo na própria série do personagem ou em outros projetos, trazendo aquela referência que os fãs tanto gostam.
Como alguém que acompanha Star Wars sem ser completamente aprofundado em toda a mitologia da franquia, existia um medo real de que o filme fosse excessivamente dependente da série. Felizmente, esse receio não se concretiza. Pelo contrário: Star Wars: O Mandaloriano e Grogu funciona como uma experiência leve, divertida e acessível, trazendo uma proposta diferente do que normalmente vemos nos filmes da saga. O resultado é uma excelente porta de entrada para novos fãs que procuram uma aventura fantástica repleta de ação, emoção e carisma.
Mesmo acertando em grande parte de sua proposta, o longa não é perfeito. Existe uma clara “barriga” no desenvolvimento da história, um trecho que poderia ser mais enxuto sem prejudicar a narrativa. Apesar de cumprir uma função importante para a construção emocional dos personagens e dos conflitos, essa desacelerada quebra parte do ritmo estabelecido anteriormente e pode incomodar parte do público. Ainda assim, o saldo final é extremamente positivo e reforça que Star Wars ainda possui potencial para entregar grandes experiências no cinema quando entende aquilo que realmente conecta o público a esse universo.

















































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