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Crítica | Pacificador - 2ª Temporada

  • Foto do escritor: Gustavo Pestana
    Gustavo Pestana
  • 17 de out. de 2025
  • 3 min de leitura

2025 | 40 min | Ação – Aventura – Comédia – Policial – Drama – Fantasia – Ficção científica

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação) 


A segunda temporada de Pacificador estreou levantando uma grande dúvida entre os fãs: como James Gunn, agora um dos responsáveis pelo novo DCU, conseguiria encaixar a série no novo cânone da DC sem ignorar os eventos da primeira temporada? E, principalmente, como ele surpreenderia o público em meio a tantas limitações narrativas impostas pelo universo em reconstrução? 

 

Para surpresa geral, Gunn resolveu esse dilema da forma mais simples, e curiosamente, mais engraçada possível. Ele abre a temporada com um call-back direto da cena final do primeiro ano, mas em vez de vermos a Liga da Justiça do antigo DCEU, surge a Gangue da Justiça, estabelecendo com precisão o tom e o contexto deste novo universo. Assim, o diretor deixa claro que tudo o que aconteceu anteriormente continua valendo, com exceção daquela única aparição final. 

 

A partir desse ponto, Gunn mergulha novamente em sua mistura característica de loucura, irreverência e caos controlado. Ele ignora os limites que muitos acreditavam que teria como arquiteto de um universo coeso e abraça de vez o absurdo, explorando multiversos, dimensões paralelas e metalinguagem com leveza e criatividade. O resultado é uma temporada que mantém o espírito anárquico da série sem se perder em explicações confusas sobre universos alternativos. 

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação) 


Na trama, acompanhamos Christopher Smith/Pacificador (John Cena), Leota Adebayo (Danielle Brooks), Adrian Chase/Vigilante (Freddie Stroma), Emilia Harcourt (Jennifer Holland) e John Economos (Steve Agee) tentando seguir com suas vidas após os eventos da primeira temporada, quando salvaram o mundo e expuseram Amanda Waller (Viola Davis).


Chris tenta se firmar de vez como super-herói enquanto busca se reaproximar de Harcourt, seu interesse amoroso. Ela, por sua vez, vive um colapso emocional após não conseguir mais trabalho na A.R.G.U.S. ou em outras agencias, revelando um lado muito mais sombrio e instável. Adebayo enfrenta crises no relacionamento em meio a abrir sua própria agência de investigação, enquanto Economos é o único que permanece na A.R.G.U.S., agora sob o comando de Rick Flag Sr. (Frank Grillo), e trabalhando diretamente com os agentes Sasha Bordeaux (Sol Rodriguez) e Langston Fleury (Tim Meadows) espionando seu amigo Pacificador. E, claro, Adrian Chase continua tão insano e imprevisível quanto sempre foi. 

 

James Gunn mantém sua assinatura: personagens cativantes, humor ácido e um ritmo que cresce a cada episódio. A temporada apresenta momentos incríveis, repletos de referências aos quadrinhos da DC, muitas tão obscuras e especificas que até fãs dedicados precisarão pesquisar para captar todas as conexões. Essa riqueza de detalhes reforça o quanto Gunn entende e ama esse universo. 

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação) 


Mas nem tudo são flores, e o ponto fraco da temporada está no desfecho.  

 

Diferente da primeira temporada, o final não entrega o mesmo impacto explosivo, com o auge da série concentrado nos episódios 5, 6 e 7. O último capítulo deixa mais perguntas do que respostas, algo que pode frustrar parte do público. 

 

Diversos arcos ficam em aberto e novas tramas surgem sem conclusão. Como Gunn já afirmou que não há planos imediatos para uma terceira temporada, é provável que essas pontas sejam retomadas em outras produções do DCU. Lanternas e Superman: Homem do Amanhã parecem ser os lugares mais prováveis para isso já que esses são os projetos que mais tem ligações com os acontecimentos e os envolvidos nessa temporada. 

(Warner Bros. Pictures/DC/Divulgação) 


Agora, elementos como o Capitão Triumph/Keith Smith (David Denman), cuja história termina de forma inconclusiva, fica solto no espaço tempo, podendo aparecer em qualquer lugar a qualquer momento, já que o próprio Gunn afirmou que o personagem está nos planos do DCU

 

Mesmo com esses tropeços, a segunda temporada de Pacificador mantém o nível e entrega um dos conteúdos mais criativos e ousados do DCU até agora. Gunn prova que não é preciso se prender à cronologia para contar boas histórias, e que cada projeto pode brilhar em seu próprio espaço. Com coragem, irreverência e um humor afiado, a série continua sendo uma das produções mais autênticas e imprevisíveis do universo da DC, ainda que termine deixando um gosto mais amargo do que doce no fim das contas.

Nota

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