Crítica | Michael
- Fagner Ferreira Seara

- há 3 dias
- 3 min de leitura
2026 | 2 h 7 min | Biografia – Drama – História – Musical
(Universal Pictures/Divulgação)
Michael Jackson foi genial, revolucionário e carismático desde os primeiros passos nos palcos, transformando talento em espetáculo e música em fenômeno global. Dono de uma presença magnética e de uma criatividade incomparável, tornou-se um artista atemporal, capaz de marcar gerações com sua voz, dança e visão inovadora. Por isso, ser intitulado “O Rei do Pop” é mais do que uma homenagem: é o reconhecimento de que Michael continua sendo referência com o passar dos anos e que, de geração em geração, sua memória seguirá viva.
Então, como contar uma história profissional e pessoal em uma cinebiografia que esteja à altura do brilho estelar do astro pop? A tarefa é dificílima ao escolher o que irá para as telas do cinema. Entretanto, a direção de Antoine Fuqua (O Protetor) se mostra bastante calculada, sem tirar fatos de contexto ou criar polêmicas gratuitas. A trama de Michael faz um recorte desde sua infância, em meados de 1966, até a icônica turnê Bad, em 1988.
Nesse espaço de tempo, Fuqua aborda o início dos Jackson 5, com exaustivos ensaios dentro de casa sob a batuta do autoritário pai Joe Jackson (Colman Domingo), que não gostava de ser contrariado. A violência praticada contra Michael, tanto psicológica quanto física, é bastante explorada como um dos principais pilares do filme. O embate entre pai e filho serve como fio condutor da narrativa, já que muitas decisões da carreira de Michael passavam diretamente por essa relação conturbada.
(Universal Pictures/Divulgação)
Entre farpas trocadas, o lado artístico de Michael é incrivelmente explorado, destacando sua ambição e o perfeccionismo que carregava. A direção de arte capricha em todos os aspectos possíveis: maquiagem, figurino, ambientação, fotografia e, principalmente, no trabalho de recriar clipes e shows com tamanho realismo que parece estarmos diante do material original. A releitura de Thriller é fascinante, nostálgica e um dos pontos altos do filme. Todas as caracterizações estão tão bem executadas que chegam a arrepiar pela dedicação envolvida.
Mas não haveria todo o brilhantismo de Michael sem a principal e acertada escolha de Jaafar Jackson para viver o Rei do Pop. Sobrinho do artista e filho de Jermaine Jackson, Jaafar surge como a personificação do tio, não apenas fisicamente. O trabalho em compreender a essência de Michael e reproduzi-la em cena é de altíssimo nível. As coreografias, a voz, o jeito tímido, a humildade, tudo é executado com precisão impressionante, a ponto de closes mais fechados confundirem o espectador, como se Michael estivesse realmente ali, vivo e presente.
(Universal Pictures/Divulgação)
A versão infantil do artista, interpretada por Juliano Valdi, também se destaca bastante. Colman Domingo, no papel de Joe Jackson, entrega uma atuação digna de mais uma indicação ao Oscar, surgindo como forte nome para Coadjuvante. Nia Long também tem seu espaço como Katherine Jackson, representando um elo emocional importante para Michael dentro da família. Outro papel que surpreende é o do segurança Bill Bray, interpretado por KeiLyn Durrel Jones, funcionando como uma espécie de figura paternal para o astro.
Mesmo tendo um início bastante corrido por causa do recorte escolhido e deixando alguns furos de roteiro que podem gerar certa confusão, Michael é uma obra digna de transportar vida e carreira para as telonas. Surge como mais uma cinebiografia com potencial para se eternizar em Hollywood e que deve ganhar um novo capítulo, pela sugestão final deixada pela trama. Afinal, ainda existe muita história para ser contada sobre o período mais turbulento da vida de Michael Jackson.

















































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