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Crítica | Demolidor: Renascido 1ª Temporada

  • Foto do escritor: Gustavo Pestana
    Gustavo Pestana
  • 11 de mai.
  • 3 min de leitura

2026 | 1 h | Ação – Policial – Drama – Fantasia – Ficção científica – Suspense

(Walt Disney Studios/Marvel/Divulgação)


Demolidor: Renascido já ganhou sua segunda temporada no Disney+, e isso reacende uma questão importante: por que a primeira temporada passou sem uma análise? Mesmo sem o impacto estrondoso da fase da Netflix, a série merece uma crítica cuidadosa. E é exatamente isso que estamos fazendo agora.


Oriundo do extinto universo Marvel da Netflix, Demolidor foi o primeiro personagem a atravessar com força para o MCU, marcando presença em Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa e depois em Mulher-Hulk: Defensora de Heróis. Já o Rei do Crime apareceu em Gavião Arqueiro e seguiu para Echo. Não por acaso, esses dois nomes que lideraram a transição eram, de longe, o ponto alto daquele universo, tanto em narrativa quanto em elenco.


Quando uma nova série focada nesses personagens foi anunciada, a expectativa explodiu. O retorno do elenco original, Wilson Fisk concorrendo à prefeitura de Nova York, o uniforme clássico do herói de volta e a promessa de arcos com personagens como Mercenário, Tigre Branco e Muse criaram o cenário ideal para uma temporada memorável. No entanto, a execução não acompanha o potencial: várias dessas ideias ficam aquém, algumas sequer chegam perto de entregar o que prometiam.

(Walt Disney Studios/Marvel/Divulgação)


A série opta por um tom mais sombrio e realista, claramente inspirado na fase da Netflix, o que funciona… até certo ponto. Essa proximidade garante identidade, mas também revela um problema: a repetição. Conflitos, dilemas e até construções dramáticas soam familiares demais, o que pode cansar fãs de longa data que esperavam evolução dentro do MCU.


Por outro lado, quem chega agora encontra uma porta de entrada sólida. O clima mais denso e o foco nos dilemas de Matt Murdock ajudam a estabelecer bem as bases do personagem. Ainda assim, a narrativa frequentemente parece indecisa, desperdiçando figuras interessantes e abandonando subtramas que poderiam enriquecer o universo da série.


Um dos pontos mais questionáveis é a ausência de Karen Page, interpretada por Deborah Ann Woll. A química com Matt fez falta, e a tentativa de substituição com Heather Glenn (Margarita Levieva) não se sustenta. O romance começa promissor, mas rapidamente perde força. O mesmo vale para outros nomes subaproveitados, como Kirsten McDuffie, Vanessa Fisk, Angie Kim e Cherry, todos com potencial narrativo desperdiçado.


O tratamento dado ao Tigre Branco é especialmente frustrante. Seu arco se limita a poucos episódios e gira em torno de um julgamento que ignora completamente a mitologia do personagem. Kamar de los Reyes entrega uma atuação competente, mas o roteiro não oferece espaço para desenvolvimento.

(Walt Disney Studios/Marvel/Divulgação)


Com Muse, o problema se repete, talvez até pior. O vilão tinha tudo para ser o grande antagonista físico da temporada, enquanto Fisk conduziria o jogo político nos bastidores. Em vez disso, sua trama é resolvida de forma apressada, em poucos episódios. Paradoxalmente, a melhor cena de ação da temporada envolve justamente esse confronto, o que reforça a sensação de oportunidade desperdiçada.


Ainda assim, nem tudo decepciona. As cenas de ação mantêm o padrão de qualidade, mesmo com alguns truques visuais para disfarçar limitações técnicas. Os episódios finais elevam o nível da narrativa, e a participação de Jon Bernthal como Justiceiro é sempre um destaque. Além disso, a dinâmica entre Charlie Cox e Vincent D'Onofrio continua sendo um dos pilares mais sólidos da série.


No fim, Demolidor: Renascido entrega um saldo positivo, ainda que parte desse resultado venha mais pela comparação com outras produções problemáticas do MCU do que por mérito absoluto. Há boas ideias, momentos impactantes e um elenco afiado, mas falta consistência para transformar potencial em excelência.

Nota

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