Crítica | One Piece: A série - 2ª Temporada
- Gustavo Pestana

- há 8 horas
- 3 min de leitura
2026 | 1 h | Ação – Aventura – Comédia – Drama – Fantasia

(Netflix/Divulgação)
Chegamos a mais uma temporada de One Piece: A Série, e a nova fase da adaptação da Netflix deixa claro, logo de início, que a proposta evoluiu.
Diferente do primeiro ano, focado na apresentação dos personagens centrais, a segunda temporada aposta na expansão de universo, no aumento de escala e no aprofundamento da mitologia, sem abrir mão da essência que consagrou a obra original de Eiichiro Oda.
A narrativa retoma exatamente de onde parou, acompanhando a tripulação rumo à Grand Line. Esse início de jornada reforça os desafios que os Chapéus de Palha terão de enfrentar, adaptando acontecimentos do anime com fidelidade estrutural, mas sem se prender a uma reprodução literal. A série entende bem o equilíbrio entre respeito ao material original e as necessidades do formato live-action, um dos grandes trunfos que sustentam o sucesso da produção.

(Netflix/Divulgação)
Assim como na temporada de estreia, a adaptação assume licenças criativas inteligentes para otimizar ritmo, narrativa e impacto dramático. O resultado é uma experiência que funciona em duas frentes: recompensa fãs veteranos com releituras envolventes e, ao mesmo tempo, apresenta um universo acessível para novos espectadores. A construção de mundo, os conflitos e as motivações dos personagens continuam claros, envolventes e alinhados com o apelo global da franquia.
Um dos maiores acertos desta temporada está no desenvolvimento da tripulação, com destaque especial para Taz Skylar como Sanji. Após um primeiro ano com espaço limitado, o ator finalmente entrega uma performance à altura do personagem, reforçando que sua escalação foi precisa.
Além disso, a introdução de novos nomes importantes eleva ainda mais o interesse narrativo, Miss Wednesday/Nefertari Vivi (Charithra Chandran), Miss All Sunday/Nico Robin (Lera Abova), Smoker (Callum Kerr) e Tony Tony Chopper (Mikaela Hoover). Cada um deles adiciona novas camadas ao enredo, mesmo quando ainda estão sendo preparados para arcos futuros, consolidando a sensação de um universo vivo e em constante expansão.

(Netflix/Divulgação)
No entanto, nem tudo funciona com a mesma eficiência. Se na primeira temporada o principal problema era o ritmo acelerado nos episódios finais, aqui a questão muda de forma preocupante. A redução do protagonismo de Monkey D. Luffy (Iñaki Godoy) é assustador, a menor presença do personagem compromete parte do impacto emocional da narrativa. Para um universo centrado no personagem, essa escolha soa arriscada e, em alguns momentos, difícil de justificar.
Nada tira da minha cabeça que a decisão foi relacionada ao orçamento, especialmente com o aumento do uso de CGI na temporada, impulsionado por mais usuários de Akuma no Mi e pela presença constante de Chopper influenciaram esse direcionamento. Ainda assim, reduzir o destaque de Luffy é um caminho perigoso, o carisma, a energia e o espírito do personagem são pilares fundamentais da série e do universo dessa história.
Outro ponto que enfraquece a experiência é a execução visual da forma Heavy Point de Chopper. A transição do CGI para uma versão prática compromete a imersão, com movimentação limitada e um acabamento visual inconsistente em relação ao restante do elenco. Em uma produção onde o estranhamento faz parte da identidade, destacar-se negativamente nesse aspecto é um problema técnico relevante.

(Netflix/Divulgação)
Felizmente, esses deslizes não comprometem o todo, mas traz um gosto amargo, porém a segunda temporada mantém um alto nível de qualidade em atuação, direção e construção de mundo, além de plantar sementes narrativas importantes para o futuro, seja por meio de foreshadowing ou easter eggs bem posicionados, reforçando a confiança de que o sucesso inicial não foi acidental.
Com tudo isso, a próxima fase desponta como decisiva. A possível adaptação do arco de Alabasta carrega enorme peso narrativo dentro do universo de One Piece, reunindo eventos cruciais e personagens icônicos. Se bem executada, pode consolidar a série como uma das melhores adaptações live-action da cultura pop recente.
A segunda temporada prova que a jornada continua sólida, mas também deixa claro que, para atingir um nível ainda mais alto, será necessário ajustar prioridades e refinar escolhas criativas. O potencial está lá. Agora, resta acompanhar os próximos passos dessa aventura rumo ao One Piece.







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