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Crítica | Velhos Bandidos

  • Foto do escritor: Gustavo Pestana
    Gustavo Pestana
  • há 19 horas
  • 2 min de leitura

2026 | 1 h 33 min | Ação – Comédia – Policial

(Paris Filmes/Divulgação) 


Velhos Bandidos chega como uma comédia policial brasileira que aposta alto no carisma de um elenco de peso, Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos. Apesar do potencial evidente e de alguns lampejos de emoção, humor e boas atuações, o longa não sustenta suas próprias ambições e acaba entregando uma experiência abaixo do esperado para fãs do cinema nacional e cultura pop. 

 

Sob a direção de Cláudio Torres (O Homem do Futuro), que também assina o roteiro ao lado de Fábio Mendes e Renan Flumian, com colaboração de Davi Torres, o filme parte de uma premissa irresistível: dois idosos liderando um assalto a banco. A ideia abre espaço para uma mistura de ação, comédia e drama, mas o desenvolvimento não acompanha a promessa. 

 

O roteiro se apoia excessivamente em um único conflito, previsível desde os primeiros minutos, comprometendo o ritmo e a construção narrativa. A trama carece de reviravoltas e falha em criar tensão ou surpresa, elementos essenciais para uma boa comédia policial, ficando a sensação de uma história que poderia explorar muito mais seu conceito. 

(Paris Filmes/Divulgação) 


Outro ponto crítico está na construção dos personagens. Falta profundidade, carisma e, principalmente, conexão emocional. As curvas dramáticas são frágeis e pouco criativas, impedindo que o espectador se envolva de fato com a jornada. Nem mesmo o humor (peça-chave para o gênero) consegue funcionar com consistência. As tentativas de comicidade raramente acertam o timing, resultando em poucas cenas realmente divertidas ao longo da narrativa. 

 

Quando o filme se aproxima de seu clímax, a previsibilidade se intensifica. As decisões de Nancy (Bruna Marquezine) e Sid (Vladimir Brichta), assim como os rumos de Marta (Fernanda Montenegro), Rodolfo (Ary Fontoura) e Oswaldo Aranha (Lázaro Ramos), seguem caminhos esperados, sem impacto ou originalidade. O ápice, que deveria elevar a experiência, mantém o mesmo nível morno do restante da produção. 

(Paris Filmes/Divulgação) 


Até esse ponto, Velhos Bandidos se sustenta como um filme mediano. No entanto, o desfecho compromete ainda mais o resultado. A tentativa de resgatar emoção soa forçada e pouco convincente, apostando em um final confortável que ignora qualquer desenvolvimento anterior. A sensação é de um reinício artificial da história, sem consequências reais, um recurso que enfraquece ainda mais o roteiro. 

 

No fim das contas, Velhos Bandidos decepciona ao desperdiçar um elenco talentoso em uma narrativa rasa, que não se decide entre gêneros e não entrega uma identidade marcante, se destacando mais pelo potencial não realizado do que pelo que efetivamente entrega, tornando-se, infelizmente, uma obra esquecível dentro da filmografia de seus grandes nomes. 

Nota

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