Crítica | O Diabo Veste Prada 2
- Gustavo Pestana

- 1 de mai.
- 2 min de leitura
2026 | 1 h 59 min | Comédia – Drama
(20th Century Studios/Divulgação)
Duas décadas após o lançamento do primeiro filme, O Diabo Veste Prada 2 chega embalado pela onda de continuações nostálgicas que dominam o cinema recente. A proposta é clara: reconectar fãs antigos e atrair uma nova geração. No entanto, produções desse tipo exigem um elemento realmente marcante para justificar o retorno, algo que vá além do apelo da nostalgia. Infelizmente, aqui isso não acontece.
Apesar de entregar alguns momentos pontuais de emoção, o longa falha em justificar sua própria existência. A narrativa repete a estrutura do original, com personagens agora 20 anos mais velhos, mas praticamente estagnados em termos de evolução. O resultado é uma sensação constante de déjà vu, acompanhada por situações que beiram o constrangimento e reforçam a falta de frescor da proposta.
Anne Hathaway retorna como Andy Sachs, novamente no centro da trama. Mesmo ocupando um cargo de destaque como chefe editorial de especiais, a personagem se vê, mais uma vez, presa à influência de Miranda Priestly (Meryl Streep). O reencontro com a icônica editora faz Andy regredir em diversos momentos, resgatando inseguranças e comportamentos que deveriam ter ficado no passado.
(20th Century Studios/Divulgação)
O núcleo clássico também está de volta. Nigel (Stanley Tucci) segue como o braço direito de Miranda, enquanto Emily (Emily Blunt) surge em uma nova posição, mas ainda relevante para a dinâmica da história. A presença desses personagens ajuda a manter o clima familiar do universo da franquia, embora não seja suficiente para sustentar seu retorno.
O roteiro, assinado pelos mesmos responsáveis pelo filme original, carece de ousadia e aprofundamento. Falta construção consistente para justificar o salto temporal, enquanto a narrativa recorre frequentemente a soluções convenientes para avançar pontos-chave da trama. Essa dependência de atalhos compromete o impacto emocional e reduz o envolvimento do público.
No campo das atuações, o quarteto principal demonstra maturidade e segurança, refletindo a evolução dos atores ao longo dos anos. Ainda assim, os personagens perderam parte do brilho que os tornava tão cativantes, sustentando-se mais pelo carinho já estabelecido com o público do que por um desenvolvimento realmente interessante.
(20th Century Studios/Divulgação)
Entre os poucos acertos narrativos, destaca-se a trajetória de Nigel. Após o desfecho amargo no filme de 2006, o personagem finalmente recebe um arco mais satisfatório. Com carisma e presença, ele novamente se destaca e rouba a cena, consolidando-se como o ponto alto da produção.
O Diabo Veste Prada 2 é, acima de tudo, uma oportunidade desperdiçada. A ausência de temas mais relevantes como a transformação do jornalismo de moda na era digital ou uma Miranda enfrentando a obsolescência limita o potencial da história. Em vez disso, a escolha por reciclar conflitos já conhecidos e apostar em reviravoltas previsíveis enfraquece a narrativa e reduz o impacto do filme.
Ainda assim, não se trata de uma experiência ruim. Tecnicamente competente e com um elenco sólido, o longa funciona como entretenimento leve. O problema está nas expectativas: a sequência não consegue atingir o nível que seu legado sugere, deixando a sensação de que poderia, e deveria, ter ido muito além.

















































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