Crítica | A História do Som
- Fagner Ferreira Seara

- há 5 horas
- 2 min de leitura
2026 | 2 h 8 min | Drama – História – Musical – Romance
(Universal Pictures/Divulgação)
A História do Som é um drama romântico que aposta na força da música folk como elo entre duas almas sensíveis em meio às transformações da Primeira Guerra Mundial. Ambientado entre bares estudantis e paisagens sonoras capturadas por mecanismos primitivos de gravação, o filme acompanha Lionel e David, dois jovens cuja conexão nasce de uma simples canção e se transforma em uma jornada emocional marcada por arte, descoberta e desejo.
Em um bar universitário de Boston, o encontro entre Lionel e David acontece quase por acaso. Uma música desperta memórias profundas, criando uma intimidade imediata, dessas que surgem naturalmente e se expandem entre conversas despretensiosas, melodias folk e uma paixão compartilhada pela arte. O que começa como encanto se transforma em cumplicidade, dando início a uma travessia que atravessa anos e momentos mágicos.
Ao longo dessa jornada, A História do Som constrói sua identidade apoiando-se na música como força unificadora. Mais do que registrar sons, os protagonistas buscam preservar histórias, vozes e tradições culturais enquanto viajam pelo país catalogando canções folk. A ambientação histórica, ainda que pouco explorada, adiciona textura ao pano de fundo narrativo, enquanto o cinema contemplativo de Oliver Hermanus encontra beleza genuína nas cenas de gravação realizadas com cilindros e equipamentos rudimentares.
O romance, inicialmente arrebatador, sustenta a primeira metade com leveza e fascínio. Contudo, quando a separação surge como eixo dramático, a narrativa perde parte de seu vigor. Na tentativa de ampliar o impacto emocional, a direção aposta em um melodrama que enfraquece a construção da relação central. Falta densidade ao vínculo, falta aprofundamento à intimidade construída, e o rompimento carece de peso dramático suficiente para reverberar com intensidade.
(Universal Pictures/Divulgação)
A segunda metade sofre com ações mínimas e conflitos que não escalam. Em uma obra que se propõe a explorar amor, identidade e representatividade LGBTQIAPN+, a ausência de desenvolvimento emocional consistente compromete o impacto. O longa passa a refletir majoritariamente a perspectiva de Lionel, deixando de equilibrar a dinâmica entre os dois protagonistas e limitando as possibilidades dramáticas que poderiam enriquecer a trama.
Ainda assim, o talento do elenco se destaca. Paul Mescal e Josh O’Connor demonstram forte química em cena, entregando performances sensíveis e tecnicamente refinadas. Quando compartilham o quadro, elevam o material com presença e autenticidade, embora o roteiro não ofereça o espaço necessário para que a parceria alcance seu potencial máximo.
No conjunto, A História do Som apresenta elegância estética, fotografia impecável e trilha sonora envolvente. Como experiência cinematográfica, encanta pelos detalhes técnicos e pela atmosfera contemplativa. Entretanto, a promessa de um grande romance épico se dilui em uma execução emocionalmente contida. Belo na forma, o filme carece de substância dramática para marcar profundamente o espectador, um drama romântico que emociona pelos sons, mas não encontra a mesma força no silêncio entre eles.



































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