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Crítica | A Empregada

  • Foto do escritor: Fagner Ferreira Seara
    Fagner Ferreira Seara
  • 1 de jan.
  • 3 min de leitura

2026 | 2 h 11 min | Drama – Suspense

(Paris Filmes/Divulgação) 


Baseado no livro homônimo de Freida McFadden, sucesso entre os thrillers psicológicos contemporâneos, A Empregada chega ao cinema apostando em uma narrativa de suspense construída a partir do cotidiano. A trama se organiza em torno da entrada de Millie (Sydney Sweeney), uma jovem que busca estabilidade em um emprego para não ter que voltar à prisão. 

 

A oportunidade aparece quando Nina (Amanda Seyfried) lhe dá a chance de ser babá em sua casa, que foi elaborada meticulosamente por seu marido, Andrew (Brandon Sklenar). O que parecia ser um emprego cômodo acaba se transformando em um pesadelo quando o humor de Nina começa a modificar o ambiente em torno do trio protagonista, alterando todo o cotidiano. 

 

Sem recorrer a revelações imediatas, o filme prefere trabalhar a tensão de forma gradual, dialogando diretamente com o espírito do material literário que o originou. 

(Paris Filmes/Divulgação) 


Inserido no atual movimento de thrillers domésticos que transformam o lar em espaço de conflito moral, A Empregada aposta menos no choque explícito e mais na instabilidade psicológica de seus personagens, mesmo que nem sempre consiga sustentar esse equilíbrio até o fim. 

 

Sydney Sweeney assume novamente o protagonismo em um filme que reforça sua ascensão em Hollywood. Sua atuação é marcada por inquietação constante e economia emocional, adequada a uma personagem moldada por vulnerabilidade social, traumas e uma percepção fragmentada do ambiente ao seu redor. Sweeney demonstra domínio de cena e maturidade ao compreender o silêncio como elemento dramático, consolidando sua transição para papéis mais densos e complexos. 

 

Ao seu lado, Amanda Seyfried entrega uma performance mais madura e sofisticada, que se destaca como o grande trunfo do filme. Sua personagem percorre uma verdadeira montanha-russa emocional, transitando entre fragilidade aparente, controle e instabilidade. É a partir do ponto de virada da narrativa que Seyfried revela a verdadeira faceta de sua personagem, elevando o filme a um nível psicológico mais perturbador. Sua atuação evita exageros e sustenta o suspense mesmo quando o roteiro começa a perder força estrutural. 

A Empregada (Paris Filmes/Divulgação) 

(Paris Filmes/Divulgação) 


Paul Feig conduz a adaptação respeitando a espinha dorsal da obra original, preservando personagens, eventos centrais e a proposta de ambiguidade moral. No entanto, a escolha por um dinamismo narrativo mais acelerado compromete o impacto de certos momentos. Ao apressar acontecimentos importantes em função do trio protagonista, o filme sacrifica a construção gradual da tensão psicológica, elemento essencial no livro. 

 

Essa aceleração narrativa afeta diretamente o envolvimento com a trama. Em vez de aprofundar conflitos e ambiguidades, o roteiro opta por atalhos dramáticos que diluem parte do impacto emocional. Como consequência, o ato final se aproxima de soluções mais convencionais, transformando o interesse psicológico inicial em ações que flertam com o clichê e enfraquecem o potencial simbólico da história. 

 

Visualmente, A Empregada mantém uma estética fria e organizada, refletindo a aparência de controle e normalidade que encobre relações abusivas. A casa funciona como personagem silenciosa: limpa demais, organizada demais, opressiva demais. Apesar de suas irregularidades estruturais, o filme encontra força em seus temas centrais: poder, dependência emocional, violência psicológica e as máscaras sociais que sustentam relações abusivas. Quando confia no trabalho de seus atores e na força do silêncio, A Empregada se mostra inquietante e eficaz. 

 

Quando acelera demais, perde parte de sua identidade ao se apoiar em convenções conhecidas do gênero, tentando dar certa dinâmica que atrapalha o andamento narrativo. Ainda assim, trata-se de uma adaptação relevante, sustentada por atuações sólidas e uma proposta temática clara. Mesmo não sendo um thriller perfeito, é um retrato incômodo de relações assimétricas e, por vezes, esse desconforto é mais perturbador do que qualquer reviravolta explícita. 

Nota

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