top of page
Background 02_edited_edited.jpg

Crítica | Devoradores de Estrelas

  • Foto do escritor: Gustavo Pestana
    Gustavo Pestana
  • há 23 horas
  • 3 min de leitura

2026 | 2 h 36 min | Drama – Ficção científica – Suspense

(Sony Pictures/Divulgação) 


Phil Lord e Christopher Miller, dupla responsável por sucessos como Lego Movie e Homem-Aranha: Através do Aranhaverso, apresentam mais uma ambiciosa incursão pela ficção científica no cinema. Em Devoradores de Estrelas, a dupla se une ao carisma de Ryan Gosling para adaptar a obra do escritor Andy Weir, autor que conquistou fãs do gênero com histórias que combinam ciência, suspense e humanidade. Weir também participa diretamente do projeto como roteirista, ao lado de Drew Goddard, repetindo a parceria que funcionou tão bem em Perdido em Marte, outra adaptação de sua obra literária. 

  

A premissa parte de um conceito simples, mas extremamente instigante. Um homem desperta sozinho em uma nave no meio do espaço, sem memória clara de como chegou ali. Aos poucos, descobre que carrega uma missão vital: investigar por que o Sol está se destruindo e encontrar uma solução capaz de salvar a Terra. Enquanto tenta sobreviver em um ambiente hostil, precisa reconstruir as próprias lembranças e entender o caminho que o levou até aquela situação limite. 

 

O grande ponto de virada surge quando Grace (Gosling), encontra um alienígena que também busca respostas para o mesmo fenômeno cósmico. A partir desse encontro improvável nasce uma parceria inesperada. Humanos e extraterrestres passam a compartilhar conhecimento e estratégias na tentativa de salvar não apenas um planeta, mas dois mundos ameaçados por um mesmo desastre. 

(Sony Pictures/Divulgação) 


Embora a expectativa inicial pudesse apontar para uma narrativa dominada por conceitos científicos complexos e exploração espacial, o longa aposta em outro caminho: o lado emocional da jornada. A relação entre Grace e Rocky se torna o coração da história. O processo de comunicação entre espécies, seguido pelo surgimento de uma amizade genuína, cria momentos tocantes que equilibram perfeitamente ciência e emoção, um elemento que aproxima o público da narrativa mesmo em meio a conceitos cósmicos grandiosos. 

  

A estrutura do roteiro também se destaca pelo uso frequente de flashbacks. Esses momentos revelam os acontecimentos que levaram Grace ao espaço e ajudam a construir duas versões do personagem: o homem que existia antes da missão e o indivíduo transformado pelas circunstâncias extremas da jornada. Essa dualidade fortalece o desenvolvimento dramático e amplia o impacto das escolhas do protagonista. 

  

Narrativamente, o filme inevitavelmente lembra Perdido em Marte, o que não chega a ser surpresa considerando a equipe criativa envolvida. Ainda assim, Devoradores de Estrelas encontra identidade própria, tanto na estética quanto na forma de contar sua história. Em alguns momentos, a abordagem da solidão no espaço e os dilemas científicos evocam comparações com Interestelar, embora o tom e os objetivos dramáticos sigam caminhos diferentes. 

(Sony Pictures/Divulgação) 


A atuação de Ryan Gosling merece destaque especial. Durante boa parte da trama, o ator sustenta a narrativa praticamente sozinho, transmitindo medo, curiosidade e esperança em um cenário de isolamento absoluto. Essa construção solitária ganha nova dinâmica quando Rocky passa a se comunicar por meio de uma voz artificial, abrindo espaço para interações que acrescentam humor, emoção e humanidade à experiência. 

  

Devoradores de Estrelas era um projeto que me despertava grande curiosidade, e mesmo que minhas expectativas possam ter sido completamente desalinhadas, o resultado final entrega uma obra sólida e envolvente, surpreendendo ao apresentar uma história profundamente centrada em amizade, colaboração e empatia, tudo isso embalado por uma aventura espacial repleta de mistérios científicos. 

  

No fim das contas, a produção se destaca menos como um espetáculo de ciência hardcore e mais como uma jornada emocional sobre conexão e amizade, independentemente de sua origem. Uma abordagem inesperada, mas extremamente eficaz, que transforma Devoradores de Estrelas em uma ficção científica memorável para fãs de cinema, cultura pop e narrativas espaciais. 

Nota

Comentários


bottom of page