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Crítica | Mestres do Universo

  • Foto do escritor: Gustavo Pestana
    Gustavo Pestana
  • há 4 horas
  • 4 min de leitura

2026 | 2 h 20 min | Ação – Aventura – Fantasia – Ficção científica

(Sony Pictures/Divulgação)


Depois do famoso filme de 1987, Mestres do Universo finalmente ganha uma nova adaptação para os cinemas. A produção chega com a missão de corrigir erros do passado e entregar uma narrativa mais alinhada à mitologia da franquia, além de apresentar uma Eternia grandiosa, repleta da atmosfera mágica, fantástica e épica que marcou a clássica animação dos anos 80.


E, de modo geral, o filme cumpre exatamente essa proposta. A produção abraça a nostalgia dos fãs enquanto explora a criatividade quase ilimitada desse universo, onde criaturas das mais diversas formas coexistem naturalmente. Em vez de tentar reinventar a franquia ou construir uma trama excessivamente complexa, o longa aposta em uma grande aventura clássica. A história acompanha o primeiro ataque de Esqueleto a Eternia e a fuga do jovem Príncipe Adan com a Espada do Poder. Quinze anos depois, Adan retorna ao seu mundo natal, descobre o verdadeiro potencial da espada, assume a identidade de He-Man e enfrenta Esqueleto em uma batalha decisiva pelo destino de Eternia. É uma estrutura simples, direta e extremamente fiel ao espírito dos episódios clássicos do desenho animado.


Essa simplicidade narrativa funciona muito bem. A construção da história remete diretamente às aventuras que marcaram a infância de uma geração inteira, enquanto a estética respeita as origens da franquia. As cores vibrantes, alguns enquadramentos e até a forma como determinadas cenas são filmadas evocam a linguagem visual dos anos 80. Ao mesmo tempo, a direção encontra um equilíbrio eficiente entre o clássico e o contemporâneo, modernizando a experiência sem perder a essência que tornou o personagem um ícone da cultura pop.

(Sony Pictures/Divulgação)


O elenco também merece destaque. Mesmo que nem todos os personagens recebam um desenvolvimento aprofundado, cada integrante do vasto universo de Eternia encontra espaço para brilhar. Os coadjuvantes não servem apenas como referências ou easter eggs para os fãs mais atentos; eles ajudam a expandir a mitologia da franquia e reforçam a sensação de que esse mundo é vivo, mágico e repleto de possibilidades. Finalmente, Mestres do Universo recebe uma adaptação cinematográfica capaz de fazer justiça ao potencial de seu universo.


O núcleo principal, formado por Nicholas Galitzine (Adan/He-Man), Camila Mendes (Teela), Idris Elba (Mentor) e Jared Leto (Esqueleto), sustenta toda a narrativa. Talvez alguns espectadores considerem que o maior peso dramático recaia sobre Galitzine, mas, na prática, os quatro personagens desempenham papéis fundamentais para o desenvolvimento da trama.


Nicholas Galitzine incorpora com eficiência as duas facetas do protagonista. Como Adan, transmite insegurança, ingenuidade e até certo humor involuntário. Já como He-Man, assume uma postura mais confiante e heroica, sem abandonar a gentileza e o forte senso de proteção pelos amigos e por Eternia. Camila Mendes e Idris Elba constroem uma dinâmica familiar bastante convincente, transmitindo afeto genuíno pelo protagonista e pelo reino que juraram proteger.

(Sony Pictures/Divulgação)


Jared Leto, por sua vez, entrega uma versão clássica de Esqueleto. O personagem não possui traumas ocultos nem motivações complexas que expliquem sua maldade. Ele simplesmente é mal e deseja poder, exatamente como acontecia na animação original. Essa abordagem funciona surpreendentemente bem e preserva a essência do vilão. Além disso, seus momentos de humor ajudam a reproduzir o tom leve e divertido que sempre acompanhou a franquia, lembrando que He-Man é um produto voltado para o público infantil, embora tenha conquistado fãs de todas as idades.


Apesar de todas as qualidades, o filme não está livre de problemas. Assisti à versão legendada durante a cabine de imprensa, e a interpretação vocal de Jared Leto nem sempre funcionou para mim. Sua risada, em especial, remeteu imediatamente ao Coringa interpretado pelo ator em alguns projetos questionáveis do antigo universo DC, quebrando um pouco a imersão em alguns momentos.


Teela também inicia a narrativa com uma relevância bastante significativa, mas acaba perdendo espaço conforme a trama avança. A divisão de protagonismo com outros personagens é compreensível, porém sua participação no confronto final contra Maligna poderia ter recebido maior destaque. Já Mentor surge inicialmente em uma versão grandiosa e esplendorosa, mas logo em seguida ganha uma forma mais fragilizada, marcada pelo fracasso e pelo alcoolismo, o que reduz parte da imponência tradicionalmente associada ao personagem. Embora essa condição seja trabalhada ao longo da história e resolvida posteriormente, faltam momentos que evidenciem toda a grandeza que Mentor costuma demonstrar em combate.

(Sony Pictures/Divulgação)


Ainda assim, esses problemas estão longe de comprometer a experiência. São questões pontuais dentro de um projeto que entende perfeitamente sua identidade. O filme sabe como apresentar seu universo, desenvolver seus personagens e, principalmente, evita se levar excessivamente a sério. Essa consciência do próprio tom é um dos principais motivos pelos quais a produção funciona tão bem.


Antes de encerrar esta análise, vale destacar as inúmeras homenagens à adaptação live-action de 1987. Muitas dessas referências certamente vão arrancar sorrisos dos fãs de longa data. O filme presta tributo não apenas ao longa anterior, mas também a diferentes fases da franquia em outras mídias. Existem referências para praticamente todos os públicos, incluindo algumas surpresas que dialogam até mesmo com os memes mais famosos de He-Man (sim, eles fizeram homenagens aos memes do He-Man). 


Por fim, fica o aviso para quem pretende assistir ao longa nos cinemas: permaneça na sala após o encerramento. Mestres do Universo conta com três cenas pós-créditos, sendo duas exibidas logo após o término da história principal e uma última reservada para o fim completo dos créditos.

Nota

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