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Crítica | Avatar: Fogo e Cinzas

  • Foto do escritor: Gustavo Pestana
    Gustavo Pestana
  • 16 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

2025 | 3 h 15 min | Ação – Aventura – Fantasia – Ficção científica – Suspense

(20th Century Studios/Divulgação) 


James Cameron retorna aos cinemas com mais um capítulo de Avatar e, mais uma vez, repete seu já conhecido modus operandi: desenvolver novas tecnologias para o audiovisual, expandir o universo de Pandora e esticar uma narrativa que, há algum tempo, parece ter perdido o impacto inicial. 

 

Antes que pareça pura implicância, é importante deixar claro: Avatar nunca foi um problema para mim. O primeiro filme, lançado em 2009, foi um verdadeiro marco do cinema moderno, revolucionando o uso do 3D, da captura de movimento e da construção de mundos digitais. Sua história, embora simples e pouco ousada, funcionava como suporte para algo maior: personagens carismáticos e um universo visualmente arrebatador. Essa mesma lógica se repetiu em Avatar: O Caminho da Água (2022), que elevou ainda mais o nível técnico, aprofundou a mitologia de Pandora e apresentou novas culturas, criaturas e biomas, mesmo seguindo uma estrutura narrativa muito semelhante à do original. 

 

Agora, chegamos a Avatar: Fogo e Cinzas, filme que carregava a expectativa de encerrar essa primeira trilogia, expandir o universo ainda mais e apresentar novos personagens, mitologias e povos de Pandora. A promessa era aprofundar culturas inéditas e entregar algo realmente novo dentro da franquia. Infelizmente, isso não acontece. 

(20th Century Studios/Divulgação) 


O novo longa não parece concluir sua história, não desenvolve adequadamente os novos povos e tampouco acrescenta camadas relevantes aos personagens já conhecidos. Visualmente, apesar de impecável, o filme não traz nada que já não tenhamos visto nos capítulos anteriores. Diante disso, o foco naturalmente recai sobre o roteiro, e a esperança de uma abordagem mais original rapidamente se desfaz. A narrativa é extremamente parecida com a do filme anterior, resultando em uma experiência cansativa e repetitiva. 

 

Minhas expectativas em relação a Avatar sempre estiveram ligadas ao espetáculo visual e à mitologia de Pandora, elementos que James Cameron domina como poucos. O trailer de Fogo e Cinzas sugeria exatamente isso: a introdução de dois novos povos, um associado ao ar, apresentado como gentil e acolhedor, e outro ligado ao fogo, retratado como agressivo e violento. A expectativa era conhecer suas culturas, valores e particularidades, assim como aconteceu com o povo da água no filme anterior. No entanto, essa exploração simplesmente não existe. 

 

O povo do ar surge e desaparece rapidamente, sem qualquer aprofundamento. Já o povo do fogo até possui maior tempo de tela, mas é tão superficialmente desenvolvido que sua presença pouco altera o impacto da narrativa. Tudo acaba girando em torno do conflito entre Jake Sully (Sam Worthington) e Quaritch (Stephen Lang), encerrando (talvez) um arco iniciado no primeiro filme. Um embate que, na prática, não justificava roubar tanto tempo de tela, especialmente em um filme com mais de três horas de duração, tempo mais que suficiente para trabalhar todos os elementos prometidos. 

(20th Century Studios/Divulgação) 


James Cameron já declarou que possui ideias para até sete filmes da franquia, organizados em grandes arcos narrativos, de forma semelhante ao que a Marvel fez em seu universo cinematográfico. Avatar: Fogo e Cinzas deveria representar o encerramento desse primeiro arco. Contudo, mesmo como conclusão, o filme soa fraco, pouco impactante e previsível. O desfecho faz sentido dentro da lógica da saga, mas não surpreende, não provoca e não altera as expectativas construídas ao longo dos anos. 

 

No fim, Avatar: Fogo e Cinzas continua sendo um espetáculo visual impressionante, com um universo rico e fascinante, mas se limita a apresentar mais uma aventura dentro de um recorte de mundo que já conhecemos bem. É competente, bonito e tecnicamente impecável, porém sem novidades reais. 

 

Para piorar, o filme não deixa claro para onde a história caminha nem quem assumirá o protagonismo no próximo arco. Resta apenas aguardar o desempenho comercial (que, muito provavelmente, será positivo) para talvez termos algum indício do futuro da franquia. 

Nota

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