Crítica | Anaconda
- Gustavo Pestana

- 23 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
2025 | 1 h 39 min | Ação – Aventura – Comédia
(Sony Pictures/Divulgação)
A convite da Primeiro Plano e da Espaço Z, tive a oportunidade de conferir Anaconda (2025) diretamente da pré-estreia no Rio, com a presença de ninguém menos que Selton Mello. A mais nova produção estrelada por Jack Black, Paul Rudd, Steve Zahn, Thandiwe Newton e, claro, Selton Mello, funciona como um reboot/revival do clássico lançado em 1997, protagonizado por Jon Voight, Jennifer Lopez, Ice Cube, Eric Stoltz e Owen Wilson, mas com uma abordagem metalinguística: a história se passa em um mundo onde o longa original existe. Para entender melhor essa proposta, vale explicar como o novo filme se estrutura.
A trama acompanha um grupo de amigos apaixonados por cinema que decide refilmar o clássico da Sony. Doug (Jack Black) assume o papel de diretor e roteirista, Griffin (Paul Rudd) é o ator principal, Kenny (Steve Zahn) comanda a câmera e Claire (Thandiwe Newton) lidera o elenco feminino. Juntos, eles partem para a Amazônia brasileira com o objetivo de rodar o filme. No entanto, para contar uma história sobre uma cobra gigante, é preciso ter uma cobra gigante. É nesse contexto que surge Santiago Braga (Selton Mello), um especialista em serpentes contratado para auxiliar a produção.
Como o longa não se propõe ao terror ou ao drama, mas sim à comédia, o inesperado acontece: Hector, a cobra de Santiago e estrela do filme dentro do filme, acaba morrendo. A partir desse ponto, o grupo se vê obrigado a procurar uma substituta e acaba cruzando o caminho de uma anaconda monstruosa, que passa a caçá-los implacavelmente. A tentativa de filmar um filme logo se transforma em uma corrida desesperada pela sobrevivência, e, se der tempo de gravar algumas cenas, melhor ainda.

(Sony Pictures/Divulgação)
O elenco, por si só, já indica o caminho da comédia. A química entre os atores funciona com precisão, gerando situações absurdas e extremamente divertidas. Por isso, vale ir além do óbvio e destacar o roteiro, as construções cômicas e, principalmente, a presença de Selton Mello, que adiciona uma camada especial ao filme, sobretudo para o público brasileiro.
O roteiro não busca grandiosidade nem complexidade excessiva, mas também não tropeça em incoerências graves. A proposta é clara: usar um cenário absurdo como base para a comédia, e isso funciona muito bem. Em nenhum momento o espectador acredita, de fato, que seria possível escapar de uma cobra daquele tamanho, mas a narrativa apresenta situações tão bem encaixadas dentro da própria lógica do filme que a suspensão de descrença acontece naturalmente. Tudo faz sentido dentro da galhofa proposta, ainda que nada seja minimamente realista. Afinal, estamos falando de uma cobra gigante, e exigir verossimilhança absoluta seria perder completamente o espírito da obra.
O grupo central é caótico, improvável e carismático, criando cenas tão fora da realidade que o riso se mantém constante do início ao fim. Até mesmo os momentos de ataque da anaconda, que normalmente seriam carregados de tensão, ganham um tom cômico. A comédia é tão bem executada que consegue arrancar risadas em praticamente todas as situações, inclusive nas mais inesperadas, exatamente como o filme se propõe.

(Sony Pictures/Divulgação)
Selton Mello merece um destaque à parte. O ator brasileiro entra como um elemento extra no grupo e entrega uma atuação excelente. A interação com Jack Black e Paul Rudd é natural e cheia de carisma, deixando claro que a escolha para o papel foi certeira. Santiago é uma figura excêntrica (afinal, seu melhor amigo é uma cobra gigante) e Selton equilibra essa estranheza com leveza e humor. Assistir ao filme em uma pré-estreia com a presença do próprio ator tornou cada aparição em cena um momento de catarse coletiva, elevando ainda mais a experiência, mas mesmo sem ter essa experiencia, acredito que todos terão essa mesma sensação quando o ator estiver em cena.
No geral, Anaconda (2025) é exatamente o que promete: uma comédia escrachada sobre uma cobra gigante caçando pessoas. O elenco é afiado, a narrativa flui muito bem e o roteiro apresenta reviravoltas importantes para a história, mesmo mantendo o espírito caótico e aleatório que define o filme. As participações especiais são pontuais, mas bem aproveitadas, enriquecendo ainda mais o conjunto.
Se cobras não são um problema e a ideia é se divertir no cinema, Anaconda é uma recomendação sincera. O filme entrega situações hilárias, um elenco carismático e uma proposta criativa ao transformar um clássico do “terror” em uma comédia assumida, algo que, curiosamente, tem sido cada vez menos explorado nos cinemas recentes.

























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