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Crítica | Zico, O Samurai de Quintino

  • Foto do escritor: Gustavo Pestana
    Gustavo Pestana
  • 26 de abr.
  • 2 min de leitura

2026 | 1 h 43 min | Documentário

(Downtown Filmes/Divulgação)


Zico, o Samurai de Quintino é um documentário envolvente dirigido por João Wainer que entrega uma homenagem respeitosa, emocionante e à altura de um dos maiores ídolos da história do futebol brasileiro. A produção revisita a trajetória lendária de Zico no Flamengo, além de explorar sua passagem pela Itália e pelo Japão, construindo um panorama sólido de sua carreira, com toques pontuais de sua vida pessoal e reforçando sua relevância na cultura do esporte.


A narrativa aposta em um retrato humano e íntimo do craque, sem abrir mão do tom celebrativo que guia o longa. O foco está nos momentos de glória, conquistas e legado, ainda que o roteiro não ignore completamente os episódios mais difíceis, mesmo que não aborde alguns deles. Essa escolha equilibra emoção e reverência, valorizando a jornada sem transformar o filme em um retrato excessivamente melancólico.


Para quem já conhece a história de Zico (especialmente torcedores do Flamengo), o documentário pode não apresentar grandes revelações. Ainda assim, o acesso a imagens raras, registros pessoais e bastidores inéditos cria uma experiência poderosa e nostálgica. É uma oportunidade de revisitar momentos históricos do clube, entender a dimensão do ídolo e se reconectar com uma era que ajudou a moldar o imaginário do futebol nacional.


O filme também amplia seu alcance ao destacar capítulos importantes fora do Flamengo. A trajetória na Seleção Brasileira ganha espaço, assim como as passagens pela Udinese e, principalmente, pelo Kashima Antlers. No Japão, Zico alcança um status quase mítico, comparável à idolatria vivida no Brasil, justificando perfeitamente o título de “Samurai”, que simboliza disciplina, respeito e legado.

(Downtown Filmes/Divulgação)


Um dos pontos mais delicados da narrativa envolve sua relação com a Seleção Brasileira, marcada pelo peso histórico do pênalti perdido. O documentário aborda esse episódio com sensibilidade, contextualizando o impacto do momento sem reduzir sua carreira a esse acontecimento. A construção narrativa permite compreender a importância de Zico no cenário mundial, independentemente da ausência de um título de Copa do Mundo.


Como todo bom documentário esportivo, a produção se apoia em depoimentos, imagens de arquivo e relatos de bastidores. No entanto, o grande diferencial está na qualidade dos entrevistados: nomes como Júnior, Carpegiani e Ronaldo ajudam a dimensionar a grandeza de Zico dentro e fora de campo. Além disso, os depoimentos de familiares e torcedores/amigos japoneses adicionam novas camadas à narrativa, oferecendo perspectivas menos exploradas pelo público geral.


No fim, Zico, o Samurai de Quintino se consolida como uma poderosa homenagem a um ícone do futebol, celebrando sua genialidade, liderança e impacto duradouro no esporte. Mais do que revisitar conquistas, o documentário reafirma o legado de Zico como um símbolo do Flamengo e da cultura pop esportiva, um nome que transcende gerações e continua inspirando fãs dentro e fora do Brasil.

Nota

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