Crítica | Manual Prático da Vingança Lucrativa
- Gustavo Pestana

- 26 de fev.
- 3 min de leitura
2026 | 1 h 45 min | Comédia – Drama – Suspense
(Diamond Films/Divulgação)
Manual Prático da Vingança Lucrativa, protagonizado por Glen Powell, enfrenta alguns problemas pontuais, mas o principal deles está no alinhamento de expectativas. Quem assiste ao trailer esperando um filme sério, com diálogos sofisticados, roteiro afiado e uma narrativa complexa que finalmente consolide Powell no grande papel de sua carreira, pode sair frustrado. Por outro lado, quem se guia pelo título e pelo gênero imaginando uma comédia escrachada, repleta de piadas e situações absurdas, também pode se decepcionar.
O longa ocupa uma zona intermediária curiosa: flerta com o humor ácido, ensaia momentos dramáticos e sugere discussões mais profundas, mas raramente mergulha de fato em qualquer dessas vertentes. Ainda assim, dentro da proposta apresentada, essa indecisão tonal encontra certa coerência com o estilo narrativo escolhido.
A trama acompanha Becket Redfellow, um homem nascido em uma família extremamente rica, mas que foi ignorado e completamente esquecido pela própria família. Criado sob a promessa de sua mãe que herdaria a fortuna e conquistaria a vida que sempre idealizou, ele decide acelerar o processo eliminando os demais membros da família para assumir o posto de herdeiro.

(Diamond Films/Divulgação)
A premissa abre espaço tanto para uma comédia de humor ácido quanto para uma sátira social com comentários sobre ambição, abandono emocional e ganância. No entanto, o filme prefere caminhar entre essas possibilidades sem assumir totalmente nenhuma delas. Assim como em outros projetos estrelados por Glen Powell, a produção se apoia fortemente no carisma e na presença de tela do ator para aproximar o público do filme, e assim como nas outras produções, essa estratégia funciona, pelo menos até certo ponto.
Quando afirmo que o maior problema está na expectativa, falo da experiência pessoal de assistir sem rótulos pré-estabelecidos. Sem aguardar uma grande comédia, um drama impactante ou o papel definitivo da carreira de Powell, fazendo com que a experiência se torna-se mais leve, aceitando totalmente a proposta como ela é, um entretenimento despretensioso com uma premissa instigante que geral um resultado levemente satisfatório.
Isso não significa ausência de falhas. A narrativa carece de aprofundamento nos personagens secundários, e o terceiro ato apresenta certa pressa e confusão estrutural. Mas acredito que essa característica fica muito mais atrelada a estrutura da narrativa ser centralizada no personagem contando sua história, o que determina que os demais fiquem um tanto fora de contexto.
A sensação predominante remete a um “filme de sessão da tarde”, não pela comédia exagerada, mas pela simplicidade eficaz. Trata-se de uma produção leve, com conceito interessante e execução suficientemente envolvente para agradar a diferentes perfis de público. Um típico título para assistir em família ou incluir na lista de filmes despretensiosos para o fim de semana.

(Diamond Films/Divulgação)
Além de Powell, o elenco conta com Margaret Qualley (Julia) e Jessica Henwick (Ruth) em papéis relevantes. Qualley entrega uma atuação que não me agrada, sendo talvez a responsável pelas piores partes do filme, enquanto Henwick demonstra boa presença e química convincente com o protagonista, no entanto, como sua personagem é um personagem satélite do protagonista, sua trajetória acaba subaproveitada e muito mal explorada, me fazendo questionar se talvez não fosse mais interessante incluí-la em mais momentos da trama, principalmente no terceiro ato.
No geral, Manual Prático da Vingança Lucrativa é um filme mediano que cumpre sua função: diverte, entretém e apresenta uma história com potencial. Fica evidente que poderia ter sido mais ousado, seja aprofundando o humor, seja explorando melhor o drama, mas que também poderia ter sido muito menos eficiente, fazendo o saldo final ser positivo, trazendo aquela sensação de “copo meio cheio” que deixa a experiência mais agradável do que memorável.
Na minha opinião, dentro da filmografia recente de Glen Powell, o longa se encaixa ao lado de produções como Assassino Por Acaso e Todos Menos Você: roteiros competentes, histórias envolventes na medida certa e uma estrela cujo carisma sustenta boa parte do impacto. Entre eles, ainda considero os dois anteriores escolhas mais interessantes, mas este título ocupa logo a sequência, consolidando cada vez mais Powell como um nome eficaz para esse tipo de papel.





























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